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 Goes away in the end Ainda que essas duas frases, compostas pelo frontmando Nine Inch Nails, Trent Reznor, e imortalizadas pela rouca e cansada voz do eterno man in black, Johnny Cash, possam ser encaixadas em qualquer contexto e em qualquer momento da vida de quase todas as pessoas, eu me permito usá-las como âncora pro meu momento atual, expandindo muito pouco o texto anterior “ Eu vi a sua foto no Instagram”.Na minha vida, curta dirão alguns, de 34 anos eu tive alguns casos esporádicos. Alguns mais tranquilos, outros nem tanto; em todos eu me joguei de um jeito que provavelmente todas as pessoas ao meu redor diriam que não era certo, mas, na hora era exatamente o que eu queria fazer e fiz, depois de anos de adolescência sendo o cara que se esconde e não se abre ou se joga nas coisas, que jamais e envolve e leva a vida com o cinismo de quem finge não se import.ar com nada.Porém, desses casos 3 foram significativos de fato. 3 criaram laços, rotina e o nervosismo diário de “querer ver” — e posteriormente a tristeza amalucada do fim, mesmo que o fim estivesse ali na porta, batendo desde sempre — e esses 3 foram: uma foto no Instagram; um sorriso na faculdade e uma parada de ônibus.** **Uma foto no InstagramVou começar contando o último, mais recente, de todos os 3. Vou começar com a A.Ela era mestranda na época (será que ainda é? Não sei e resisti a tentativa de ir atrás das informações) daquele tipo que parece saído de uma comédia romântica, que poderia ser uma das namoradas do Ted Mosby na quarta temporada, que tinha livros a tiracolo, um sorriso calmo e uma capacidade incrível de me fazer fica apaixonado com um toque no ombro.4 encontros e eu já estava fazendo planos para os próximos 35 anos juntos dela. Minha culpa, eu sei. Nunca neguei isso. Levei anos para me sentir assim desde o sorriso na faculdade, mas, agora achava que realmente era a hora, que a coisa ia engrenar. Ela conheceu sem pestanejar a minha mãe, meu irmão e mais uns familiares aleatórios que estavam, sabe-se lá Deus porque, aqui em casa no primeiro dia que ela veio aqui (e se ela ler isso um dia, não foi de propósito).Eu sei que eu tive meus problemas com ela e que talvez eu quisesse muito mais que aquilo ali desse certo do que ela jamais quis. Talvez eu tenha projetado nela tudo o que eu queria no momento tenso que eu estava na vida. E eu acreditei (nela, e até hoje não tenho motivos pra pensar que ela jamais me disse algo que não fosse verdade) no que viria depois da segunda noite dormindo na mesma cama.]Apressado, nervoso, inseguro, maluco e carente (talvez) devem ser os adjetivos que vem na cabeça dela quando pensa em mim.Como eu disse no outro texto, porém, nunca tivemos um final. Nunca brigamos, nunca discutimos, nunca discordamos. Sempre fomos pessoas certas em momentos errados. Pessoas erradas em momentos errados, talvez.Quem sabe se a amizade tivesse vindo antes da micro-relação as coisas teriam sido diferentes? Jamais vou saber sobre isso.** **Um sorriso na faculdadeEra o meu primeiro dia no novo trabalho, magnificamente não tinha ninguém no local para me recepcionar. Eu não sabia como iniciar o trabalho, como usar o computador (qual era o meu login na rede mesmo?). Conheci todas as minhas colegas (eram todas mulheres) naquela dia, exceto ela. Demorei ais 3 dias pra conhecê-la.No filme “Peixe Grande” sabemos o exato momento em que o protagonista conhece a sua futura esposa: o tempo para e tudo fica preto-e-branco. Foi esse o exato sentimento que eu tive quando ela descolou os lábios, me olhou, sorriu e disse “prazer eu sou a S”.Essas palavras ficaram na minha cabeça, martelando do lado da foto mental que eu tirei dela naquele exato momento. Demorei quase um ano pra saber qual era o gosto do beijo dela. Demorei quase um ano pra sentir o perfume dela tão perto de mim que minhas narinas doíam com o fixador do perfume Victoria’s Secret Bombshell e sentir a renda da lingerie vermelha nos meus dedos.Mas levou poucos meses pra eu perdê-la completamente.Brigamos, discutimos, fizemos as pazes e hoje eu tenho receio de adicionar ela no Facebook novamente.Meses se passaram até eu entender porque ela estava ali, naquele momento na minha vida, mas hoje eu entendo que o furacão foi necessário pra eu entender-me como homem. Era a o relacionamento definitivo pra eu entender o quão babaca eu tinha sido antes.S. Obrigado.** **Uma parada de ônibusO mais antigo. O que iniciou quando eu tinha recém saído da adolescência e que se estendeu por quase 8 anos. Idas, vindas, brigas, discussões, birras, jogos. Tive de tudo. Brigamos por blog, por twitter, por Orkut, Facebook e por textos com indiretas. Esgotei a quantidade de babaquice na minha vida e nas próximas 13 vidas, provavelmente.Vivi intensamente, acredito, numa relação que nunca teve futuro pela completa incompatibilidade dos dois. Lutei contra a vida que me mostrava que esse não era o caminho. Olhei pra ela pela minha lente torta, pelo meu filtro machista e imbecil da época (luto com essa memória até hoje, ela é meu guia pra entender como eu não devo agir).Dei presentes, fizemos planos, corremos dos outros e nos escondemos de todos. Foi uma relação destrutiva pra ambos, o peso de estar sempre em pé de guerra só serve como cola nos filmes do Matthew Mcconaughey. Claro que levo muito mais lembranças ótimas comigo. A batata frita ainda estala na minha boca, confesso.Tivemos culpa nós dois, claro, as coisas jamais são tão nervosas por culpa apenas de um lado. Eu tenho meu peso, ela tem o dela, provavelmente a inexperiência para lidar com o tesão que não tinha, necessariamente, âncora em nada além de atração física. A criação cristã da minha avó, o fracasso do casamento dos meus pais depois de 18 anos e pressão não declarada de ver todos os amigos se arrumando na vida. Talvez tudo isso tenha pesado na época e eu tenha me cegado ao mundo e a ela própria, ignorado o ser que estava ali na minha frente. Não escutei. Não mudei. Não me doei como pessoa, só fui um egoísta que encontrou outra egoísta e se chocou contra um muro de adolescência e juventude que jamais sequer lascou.Sempre quis pedir desculpas pra você T.** São 10 anos com 3 histórias de paixão, aprendizado e tesão. 3 histórias separadas por 10 anos que me moldaram até a foto no Instagram, até o poema debaixo da cama, a carta de suicídio escrita, amarelada e queimada depois de muito tempo pensando se valia a pena. 10 anos. 3 histórias. 4 vidas.Às vezes falta palavras pra agradecer a todas as pessoas que passaram na minha vida e que, de algum modo, me moldaram pra hoje eu ser uma pessoa melhor do que eu era em 2007 e pior do que eu vou ser em 2027.Por mais que eu sinta a tristeza batendo sempre eu me pego na solidão, sempre que eu entendo o que quis dizer o Tim Maia com aquele “pelo amor de Deus” soltado na encruzilhada entre o desespero, a dor, a paixão e a solidão, sempre que eu penso no que poderia ter sido e nunca foi, ainda assim eu quero agradecer, principalmente a essas 3 mulheres que marcaram a minha vida até aqui.