Quando eu tinha meus 11 anos — época da Copa de 1994, melhor Copa de todas — eu tinha como hábito ficar desenhando os uniformes das seleções, copiando os detalhes que eu via na TV (sabe-se lá porque). Tinha umas preferências bizarras — aquele padrão da Adidas em 94 era o que de pior uma empresa de material esportivo já produziu — mas de modo geral, o que importava mesmo, era apenas desenhar e se envolver com o futebol.Taffarel emulando Jorge Campos nos gramados norte-americanos dos anos 90.Anos mais tarde, lá pelos meus 15/16 anos, o FIFA começou a dar opção de criar times personalizados, isso incluía o fardamento completo e jogadores. Normalmente eu e meus amigos colocávamos o time da gente nos nomes e ficávamos algumas horas perdendo tempo criando camisetas mirabolantes que jamais seriam usadas por ninguém. Era um hábito da minha geração pelo que eu percebi falando anos mais tarde com pessoas da mesma idade que eu.KIT de 1998O tempo passou e hoje eu tenho uma coleção incipiente de camisetas, começando com uma do Inter de 1998 — pós Fabiano Cachaça — da Adidas com a GM patrocinando. Camiseta feia, mal cortada e com um desenho de gosto duvidoso, porém que mantém-se no meu coração pelo valor sentimental: foi minha primeira compra grande, paguei R$57 pela camiseta oficial (na época deveria ser o equivalente a uns R$400 hoje).Muitas camisetas passaram pelo Inter nesses anos, tenho várias delas, umas mais bonitas como a maldita camiseta do Mundial de 2010 (a melhor dos últimos 20 anos) ou a faixa transversal de 2016 com as ruas de fogo estampando o rebaixamento (não é verdade, mas poderia). Todas sempre geraram confusão nos torcedores, com alguns gostando e defendendo a camiseta e outros querendo a marca X no peito do clube (incrível como tem gente que defende marcas de material esportivo como solução para problemas intangíveis), o porém é que nenhuma jamais foi unanimidade.Até hoje.A camiseta mais feia. Provavelmente a única vez em que se viu unanimidade numa camiseta de clube.Na pior crise vivida pelo clube nos seus mais de 100 anos de história, na série B pela primeira vez e fora do grupo dos 4 clubes que subiriam caso o campeonato acabasse hoje (adoro essa frase, ela não diz nada com nada mas sempre coloca uma pressão) a Nike conseguiu o impensável e lançou uma camiseta unânime. Todo mundo detestou.A direção passada veio a público se defender dizendo que não aprovou o desenho mas que a empresa ignorou. A direção atual disse que não tem nada a ver com isso e que esse modelo já estava em fabricação. Os rivais criaram memes e os torcedores ficaram putos da cara por ter uma camiseta feia, mal feita, mal pensada e CARA (deve chegar custando o quase R$300 de sempre) num modelo que não tem relação com NADA na história do clube. Tudo isso trazido num péssimo momento pra torcida, jogadores, direção e comissão técnica e envolto no ar que mistura arrogância com ignorância empresarial.Como foi dito no Twitter:>Isso não é camisa é uma rescisão unilateral de contrato.