>“Unjust laws exist;

Shall we be content to obey them or shall we endeavor to amend them, and obey them until we have succeeded,
or shall we transgress them at once?”
– Henry Thoreau.
Eu acompanho a cena hacker desde os primórdios dela no Brasil, quando eu tinha 12 anos em 1996 e eu pai me comprou um PC parcelado onde eu aprendi a programar em BASIC com uns livros velhos que ele tinha da época que ele ainda era programador. Isso faz mais de 20 anos.Sempre, contudo, fui fascinado pela motivação de muitas pessoas que construíram a web como ela é hoje (e que está sendo severamente ameaçada pelas grandes empresas atualmente, ainda que sempre estivemos no limite de uma internet livre no seu fluxo de informações e no seu acesso; o sonho capitalista sempre foi uma internet fechada, compartimentada, cara e inacessível): livre.Antes do Marco Civil nos proteger capengamente, existiu um cara que era um gênio moderno (na acepção mais crua da palavra) que fez parte do time que criou o Reddit (a página inicial da internet de muita gente), do time que criou o protocolo RSS (que o Google tentou matar alguns anos atrás em detrimento de redes sociais e feeds de notícias tendenciosas que eles chamam de “
curadas”) dentro do próprio Android, e que lutou contra o monopólio das bilionárias empresas de divulgação científica (
JSTOR) por ser contrário ao modelo de remuneração e acesso restrito aos artigos científicos.Em 2011 ele foi preso pelo governo dos EUA, acusado de invasão e roubo (com uma pena prevista de 35 anos) e uma multa de US$1 milhão por
formas não convencionais de acesso a conteúdo protegido por direitos autorais.Em 2013 ele foi encontrado morto no seu apartamento, enforcado, provavelmente vitimado pelo assédio inumano que as organizações e instituição norte-americanas estavam fazendo com ele. A sua morte foi sentida por qualquer um que um dia tenha lido qualquer coisa que ele escreveu ou usado qualquer uma das tecnologias que ele ajudou a criar. Também é fundador da organização
Demand Progress(organização que luta contra SOPA/PIPA e tem nomes como Intercept junto)
e esteve no Brasil em 2009 pra se juntar “com aqueles esquerdistas do Fórum Social Mundial” em Belém/PA.Após a sua morte a procuradoria americana foi acusada por todos os lados de desproporcionalidade no caso e por uma necessidade não condizente de taxá-lo como um criminoso.>“A morte de Aaron não é simplesmente uma tragédia pessoal, é o produto de um sistema de justiça criminal repleto de intimidação e sobrealcance procuradoria. As decisões tomadas por funcionários no escritório de US Attorney o Massachusetts e do MIT contribuíram para sua morte.” Declaração da família e da parceira de Aaron Swartz.
Sobre a história da vida dele ainda foi feito o documentário
The Internet’s Own Boy: The Story of Aaron Swartz”.A história, o julgamento e o documentário são peças imperdíveis para aqueles que ainda se preocupam com os rumos que as empresas nos ditam diariamente, com as nossas liberdades e mais do que isso, com a nossa sanidade dentro desse sistema capitalista opressor a serviço de empresas e máquinas e jamais de pessoas.O post abaixo, que eu traduzi (pra manter minimamente a minha habilidade como tradutor, que já não é das melhores) é um dos mais pessoais dele e um dos mais poderosos quando ele fala sobre a vida cotidiana parta além do ativismo.Quem quiser saber mais sobre o pensamento do ativista, o documentário é mais do que relevante, mas, ainda assim, o melhor texto dele sobre isso é o artigo
Fix the machine, not the person.**
DoentePeços desculpas por não ter prosseguido com o Bubble City
[1]. Passei por um monte de coisas nas últimas semanas, fiquei deitado na cama e bebendo líquidos (com intervalos ocasionais para jogar Rock Band, para o aborrecimento dos meus vizinhos). Mais uma vez, estive doente — desta vez, com quatro diferentes doenças.E eu tenho um monte de doenças. Eu não falo sobre isso muito, por uma série de razões. Sinto vergonha estar doente (o que parece absurdo, porém ainda há uma estigma enorme por se estar doente). Não quero usar o estigma de estar doente como uma desculpa (embora às vezes eu me pergunte o quanto mais produtivo eu seria se eu não estivesse tão doente). E, em grande medida, eu apenas não acho que esse seja um assunto interessante (os meus amigos são surpreendidos por isto o tempo todo; afinal, como pode uma pessoa tão curiosa como eu ser tão desinteressada sobre as coisas que então afetando diretamente a minha vida?).Um dos meus objetivos para este blog é para descrever o que é e como é estar em várias situações. E parece que eu nunca disse muito sobre como é estar doente. Então pensei em tentar remediar isso (infelizmente, estar doente torna tudo um pouco mais difícil, eu comecei este post no dia de ação de graças e agora já se passaram quase quatro dias).Resfriado
durante todo o tempo eu me sinto cansado e tonto. Minha garganta está dolorida e estou constantemente procurando um lenço para assoar o nariz. Às vezes eu me sinto quente demais, como se eu estivesse queimando. Eu estou sempre com sede. Me concentrar em qualquer coisa é difícil. Eu me sinto destruído.Estômago irritado
a quantidade enorme de dores no meu estômago faz parecer inclusive que que ele está tentando pular fora de meu corpo. O alimento é seguido sempre pela dor, e esta é seguida por uma ida ao banheiro. Eu fico com receio de sair porque eu não quero estar longe demais de um banheiro. Estou sempre com sede e a desidratação me faz ficar irritado e confuso. Às vezes a dor é excruciante e uniforme de tal forma que, mesmo depois dela ir embora, eu gasto um bom tempo me recuperando dela.Enxaqueca
Você já sentiu como se alguém estivesse cravando pregos dentro da sua cabeça? Imagine então que esses pregos são facas e eles estão cavando através de seu cérebro, assim você pode começar a imaginar como é ter uma enxaqueca. Luz, som, toque — tudo piora, tornando as dores mais dolorosas ainda. Mesmo quando te sufocam com um comprimido, ainda assim você acaba por sentir-se tonto e desconectado, como se o comprimido estivesse apenas mantendo a dor presa.Humor deprimido
Certamente existem momentos em que se está triste. Talvez um ente o abandonou ou um plano tem dado horrivelmente errado. Você quebra a cara. Talvez você chore. Você se sente um inútil. Você quer saber se vale a pena passar por tudo isso. Todos os seus pensamentos parecem sombrios — as coisas que você fez, o que pretende fazer, as pessoas ao seu redor. Você quer deitar na cama e apagar as luzes. A depressão é assim, não vem por um motivo definido e não vai embora por nenhum outro motivo. Você vai pra rua, sai lá fora e apanha um ar fresco ou abraça um ente querido e, mesmo assim, você não se sente melhor, apenas mais chateado por ser incapaz de sentir a alegria que todos parecem sentir.Tudo fica colorido pela tristeza.Na melhor das hipóteses, você diz pra si mesmo que o seu pensamento é irracional, que é simplesmente um distúrbio de humor e que você deve continuar com sua vida. Mas às vezes é pior. Você sente como se estrias de dor estivessem percorrendo a sua cabeça, você destrói o seu corpo, você pode até procurar alguma fuga, mas não encontra nenhuma. E esta é uma das formas mais moderadas. Como George Scialabba coloca, “depressão aguda não parece como ficar doente, parece como estar sendo torturado … a dor não é localizada; ela percorre todos os seus nervos, um fogo que não se consome … mesmo que você entenda o que se passa, é impossível não acreditar que essa dor nunca vai acabar, ou mesmo que alguém já sentiu algo como isso”.O economista Richard Layard, depois de defender que o objetivo da política pública deve ser maximizar a felicidade, estabeleceu qual era o maior impedimento para a felicidade atualmente.Sua conclusão: depressão.A depressão causa quase metade de todas as incapacidades, afeta uma em cada seis pessoas e explica a atual infelicidade mais do que a pobreza. E a terapia cognitivo-comportamental (importante para política pública) tem uma taxa de sucesso a curto prazo de 50%.Infelizmente, a depressão (como outras doenças mentais, especialmente o vício) não é vista como algo “real o suficiente” para merecer o investimento e a conscientização de doenças como o câncer de mama (1 em 8) ou AIDS (1 em 150).E há, claro, a vergonha.Então, espero que você me perdoe por não ter feito mais.E, afinal, ainda podia ser pior.Pelo menos eu tenho um plano de saúde decente.** [1] Bubble City era um romance que estava sendo escrito por Aaron Schwartz para o National Novel Writing Month (NaNoWriMo) que pode ser lido aqui: http://www.aaronsw.com/weblog/bubblecity1