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  • Ficção Científica
  • H G Wells
  • Traduções —Uma das maiores inquietações da humanidade é a exploração espacial. Uma das maiores doenças da humanidade é a solidão. Não fomos feitos para viver sozinhos, solitários, sem o toque diário de outro ser humano e sem a conversa. Qualquer pessoa que já tenha ficado por longo períodos de tempo sozinha ou isolado sabe que, com o tempo, a loucura da solidão começa a tomar forma em qualquer pessoa. Nos sentimos doentes, impotentes e incapazes de nos sentirmos completos.Dentro dos trabalho de ficção científica H. G. Wells sempre destacou-se pela análise humana da tecnologia que cercava seus personagens. E a solidão é tema recorrente nessa análise. Sua maior obra, “A Máquina do Tempo”, tem como força maior exatamente a investigação da solidão do desespero daquele que se sente incompleto pela ausência de outra pessoa.A exploração espacial sempre vai esbarrar na física, primeiramente; mas e quando essa for subjugada aos devaneios da espécie humana e uma viajem pelo espaço se tornar possível? Vamos poder viajar com colônias inteiras, barcos ou solitariamente, como muitos navegadores já fizeram?Pensando nisso, o diretor James Griffiths fez o “poema cinematográfico” abaixo, mesclando diversas obras e conceitos de cinco livros (Máquina do Tempo [1895], A Ilha do Dr Moreau [1896], Os Primeiros Homens na Lua [1901], Os Dias do Cometa [1906] e Uma Breve História do Mundo [1914]) do autor.Abaixo, o vídeo e a tradução do texto.[embed]https://www.youtube.com/watch?v=yWJKLYcypz8[/embed]

    Uma horrível sensação de desolação tomou meu coração. Eu escutei atentamente e não ouvi nada além da minha circulação sanguínea reverberando em meus ouvidos. Grande, sombrio e estranho era o mundo e eu me deixei levar por seus vastos mistérios. Uma pergunta remota e distante, de onde eu poderia estar, flutuou e desapareceu de novo em minha mente. Eu me vi em pé espantado, com minhas emoções invadidas por algo que eu não conseguia entender. Eu me senti nu. Senti-me como talvez um pássaro possa sentir-se no ar limpo, conhecendo as asas do falcão e mergulhando. Comecei a sentir a necessidade de ter alguma companhia. Eu queria questionar, queria falar, queria contar a minha experiência. O que é esse espírito no homem que o leva a sempre se afastar da felicidade, a labutar e a se colocar em perigo? Foi essa inquietação, essa insegurança, talvez, que me levou cada vez mais longe em minha expedição exploradora. Enquanto o silêncio da noite se espalhava pelo mundo, o sol tocava as montanhas e tornava-se rapidamente um hemisfério flamejante de chamas líquidas; até que afundou. Então, lento e macio, envolvendo o mundo em dobra depois de dobra de azul profundo, veio a noite. E assim, o esplendor da visão — no céu, um planeta reluzente brilhava gentil e constante, como o rosto de um velho amigo. Toda a temeridade da minha viagem de repente me atingiu. Por fim, comecei a sentir a força da terra sobre o meu ser, atraindo-me novamente para a vida que é real, para os homens.