Essa semana Porto Alegre enfrentou temperaturas escaldantes, sempre acima dos 35 graus. O que é normal para a época do ano (mais cedo ou mais tarde o calor chega em Porto Alegre) ainda mais agora que eu não tenho mais ar condicionado.O que não foi normal, contudo, foi a umidade relativa do ar (UR) no RS ficar abaixo dos 15% na maioria das regiões, criando um agradável clima de deserto. Uma Dubai sem ouro e sem dinheiro. Ao mesmo tempo, o Uruguai sofre com incêndios florestais que chegaram a isolar algumas regiões (Punta Del Diablo) e a Argentina teve a sua terceira maior temperatura registrada no período de Dezembro em toda a história das medições.Claro, isso não é por obra divina, ainda que algumas pessoas possam assim pensar, e sim por obra humana. Mais precisamente, obra do agronegócio que desmata quilômetros e mais quilômetros floresta tropical amazônica pra plantar soja e criar gado.Isso sempre foi um problema, desde que eu me entendo por gente, e passou por diversos governos, desde o FHC até o Lula/Dilma (com a Kátia Abreu) até chegar na tragédia que temos hoje. Em todos esses anos, o único momento onde tivermos redução de desmatamento foi quando a eterna presidenciável Marina Silva foi ministra do meio ambiente. Ou seja, por apenas alguns anos nas últimas 4 décadas é que tivemos uma ministra (não governo) preocupado com aquele local que serve de termorregulador do país inteiro, mas, principalmente do centro-sul brasileiro.Explico: trace uma linha imaginária na altura de Porto Alegre (paralelo 30, já diriam Kleiton e Kledir) e perceba que nessa linha temos uma quantidade muito grande de desertos. Não ocorre o mesmo aqui em Porto Alegre exatamente porque temos a Amazônia que enche de umidade os ventos em jato da corrente equatorial (alta, quente e seca) e nos joga aqui uma quantidade grande de chuvas, isso inclusive tem nome: Rios Aéreos.Sem a cobertura vegetal da floresta as correntes equatoriais chegam aqui escaldantes e temos, enfim, verões como o do ano passado, o mais quente da história das medições do país e semanas como a de agora, com níveis de umidades que nos fazem sentir no Atacama.Inclusive, o processo de desertificação do Rio Grande do Sul é manchete desde os anos 90.Pensando em tudo isso, óbvio que o governo fez algo: mandou desmatar ainda mais a floresta, provavelmente para acelerar o processo de genocídio de pobres que o atual governo tanto gosta. Nomeou um bócio para ministro de meio ambiente (pudera ser do partido NOVO) e seus simpatizantes criaram o “dia do fogo” (que foi manchete, negativa, no mundo todo).A questão toda que devemos nos ater nessa sucessão de episódios devastadores é que o meio ambiente é apenas um; o planeta é apenas um. Não existe planeta suficiente para todos termos o mesmo padrão de consumo dos EUA e da Europa, por exemplo, e por isso mesmo é seguro dizer que não existe planeta suficiente pro capitalismo continuar existindo. A questão, contudo, é ainda pior quando pensamos que mesmo em uma eventual superação do sistema capitalista, o meio ambiente não vai retornar como uma fênix dos mortos. Uma vez finda a amazônia, não existe plano B. Uma vez que não existam mais recursos por aqui e que todos os cantos do planeta estejam sofrendo com cataclismas e condições climáticas extremas, não temos pra onde correr. A ajuda não virá do céu ou do inferno.Quem é pobre já sofre atualmente diuturnamente com os problemas decorrentes da destruição do meio ambiente (calor extremo, enchentes, falta de comida, doenças respiratórios e de câncer de pele) sem ter como contornar os principais problemas (um ar condicionado, a coisa mais banal que existe, custa R$345 mensais para usar (imaginando o preço do Kw/h ao redor de 80 centavos). Medicamentos custam cada vez mais caro (e com a obliteração do SUS, ficarão ainda mais caros). Quem vai sofrer não é o gordo capitalista de hoje e sim os seus netos e bisnetos, que viverão num Mad Max constante.Não que isso seja novidade, que diga Chico Mendes, mas na era da informação, como gosta de dizer os grandes jornais, as ações predatórias do atual governo (que insiste em dizer que lucro = soja) motivaram a Vox a fazer um especial de três vídeos sobre o problema ambiental na floresta brasileira dentro da sua série Atlas (que percorre o mundo mostrando tensões).[embed]https://www.youtube.com/watch?v=SAZAKPUQMw0[/embed][embed]https://www.youtube.com/watch?v=oGjRNbXeRXI[/embed]