Uma das discussões mais longevas do futebol é a “medição de pau” das torcidas. Todos os times, de qualquer lugar do mundo, alegam ter a torcida mais apaixonada porque, convenhamos, não temos como medir isso de forma prática.Contudo, a medição da torcida em números relativos, conhecidos como amostragem, é possível e nos dá sempre uma ideia bastante sólida dos clubes com maior apoio em determina demografia. Esse número sempre é questionado, claro, a estatística tem esse poder de ser completamente contraintuitiva de destruir nossas crenças mais sólidas.Normalmente, entretanto, as diretorias desdenham dos números divulgados e se galgam em coisas mais passageiras como ocupações do estádios — que está ligada diretamente com o momento do time — ou número total de sócios.Dentro disso, contudo, os números importam porque determinam coisas como os ganhos monetários dos clubes e a penetração destes em determinadas regiões. Isso vale muito dinheiro e, mais do que isso, é um poderoso objeto de barganha com as emissoras de TV, principalmente na transmissão de jogos pela TV aberta.Pensando nisso — e por conta de uma bela discussão em um grupo do Whatsapp — eu agrupei os dados do RFFSSA e numa matéria recuperada da Placar de 1971.Três coisas saltam aos olhos quando se analisa os dados:*O Flamengo oscila sempre entre os 18%, exceto na primeira pesquisa, de 1983, onde ele alcança inigualáveis 31%. Porque? Simples, a pesquisa inicial aceitava múltiplas respostas, o que resultava em várias pessoas votando no Flamengo como segundo time. *Os clubes, apesar de autos e baixos não apresentam uma variação significativa nos períodos analisados. Pelo contrário, são extremamente estáveis nos números com uma consolidação bastante forte dos seus postos (Flamengo — Corinthians — SPFC — Palmeiras); isso contradiz a ideia que todos temos de que o momento do clube nas competições seja algo preponderante na escolha de um clube e, ao mesmo tempo, fortalece a ideia de que o clube é algo tradicional dentro de uma família, usualmente passado de pai para filho. *A maioria das pessoas não gosta de futebol e não torce pra nenhum time.Variação das torcidas ao longo da série histórica (1983/2019)Resumo da história é o que todo mundo sempre soube: Flamengo, apesar de em alguns momentos ter tido uma queda (em um dado momento ficando em segundo lugar) mantém uma liderança bastante consistente ao longo do tempo com uma torcida distribuída de maneiras bastante homogênea (ainda que no N e NE ele seja mais forte) e é seguido pelo Corinthians com a mesma demografia. Todos os outros clubes tem o mesmo perfil, com torcidas distribuída ao longo do país, salvo uma exceção: Grêmio e Inter.A dupla Gre-Nal mantém uma hegemonia na região sul onde conseguem mobilizar ao redor de 85% dos torcedores (e, essa é a única região que o Flamengo não aparece entre os preferidos, perdendo, inclusive, pro Corinthians). No relatório desse ano da DATAFOLHA nos mostra que o Grêmio concentra sua torcida na capital e região metropolitana (numa proporção de 2:1) enquanto o Inter sobre bastante no interior, empatando com o Grêmio (3:3) inclusive. Em termos de classe social, o Grêmio é um time de funcionários públicos com salários de classe média (3/10 SM) com uma ampla torcida jovem (16/24 anos) ao passo que o Inter detém uma torcida de assalariados (>2 SM) e empresários (<10 SM) e de jovens adultos (34/45 anos).Não é nada, não é nada; e não é nada mesmo.No final serve de curiosidade e de combustível praquelaconversa de bar com os amigos rivais aqui em POA.E para quem quiser ler toda a pesquisa da DATAFOLHA, só abrir o PDF.