Doomguy###Introdução Doom é icônico na vida de qualquer pessoa que já se interessou ou jogou qualquer jogo de videogame na vida. Eu me lembro de ter conseguido uma cópia do jogo com meu vizinho em 1997 — os computadores chegaram tarde no Brasil — que cabia em alguns disquetes apenas. Aprendi a instalar jogos via DOS para poder rodar Doom. Quando finalmente a tela emergiu na minha frente e o som ultra-pesado da guitarra ecoou pelo meu quarto, eu tive a certeza que eu estava na frente do futuro (da época).Depois disso vieram inúmeros mods e versões. Joguei todos, provavelmente. Minha última rodada de Doom foi com o relançamento de Doom64 — junto do lançamento de Doom Eternal. Posso dizer que ainda é o melhor jogo da franquia, guardadas as proporções gráficas e as limitações de espaço que um cartucho de N64 tem em relação aos atuais PC’s.Doom 2016 retomou o bastão de rei dos FPS e Doom Eternal é uma continuação dessa carnificina descerebrada que me conquistou em 1997. Ainda não zerei (ou virei, como dizem no RS) o jogo porque meu computador deve estar uns 8 anos defasado em relação à GPU e o preço dos consoles ainda se mantém em salgados R$249, mas abaixo eu traduzi a melhor crítica (até agora) sobre o jogo. Os defeitos que eu percebi em pouco mais de 3 horas de jogos (em relação às mecânica confusas e extravagantes) assim como os muitos acertos (armas, movimentação e demônios).Em breve devermos começar a ter mais mods, a alma de Doom, mas por enquanto podemos nos deliciar com o jogo “ vanilla” ecom o reshade pra PC e todas as 8 horas de jogo que temos à disposição.Ray Tracing 4K — nVidia RTX[embed]https://www.youtube.com/watch?v=CxEsiM0Ad1w[/embed] Vanilla (+8h de duração)[embed]https://www.youtube.com/watch?v=3CWzCwCmHho[/embed] ** ###Doom Eternal: A sequência do reboot da série é desordenada, mas estamos aqui apenas para rasgar e triturar. E, nesse caso, ele cumprirá seu dever.Por Richard Currie>S** audações, viajante e bem-vindo de volta ao The Register Plays Games , nossa coluna mensal de jogos. Que boa hora para não se ter a responsabilidade com filhos, hein? Vocês jovens, sem preocupações, têm pilhas de caixas de jogos e videogames para vasculhar enquanto nós, os mais velhos, estamos presos dentro de casa, temendo por nossas vidas e pelas de nossos entes queridos. Infelizmente, meu bloqueio foi mais movimentado do que o habitual, pois os cuidados com as crianças também estão sendo fechados, e é por isso que estamos semanas atrasados. Mas ei! Um fim de semana prolongado! Talvez seja o momento perfeito para conferir o novo Doom [Eternal]. Doom não precisa de introdução e sua importância, tanto para os jogos quanto para os jogadores, não pode ser subestimada. Todo mundo se lembra de onde e quando correu pela primeira vez pelos corredores infestados de demônios ou, de fato, quase derrubou a rede da empresa .Eu?Eu coloquei os meus olhos na série pela primeira vez ao jogar Doom II. Era o CD-ROM de Hell on Earth, na sala de estudos do meu falecido avô, em meados dos anos 90, quando eu era jovem demais.Grandad estava na equipe que, em 1970, desenvolveu a primeira implementação conhecida de um compilador para o Algol 68-R, entre outras nerdices, no Royal Signals and Radar Establishment, em Worcestershire (eu gosto de pensar que ele teria gostado do The Reg), então, suponho que basicamente qualquer pessoa com um computador nos anos 90 tivesse uma cópia de Doom por aí.O primeiro jogo em 1993 — junto com seu antecessor matador de nazistas e muito mais simplista, Wolfenstein 3D, também desenvolvido pela ID Software — deu o tom para todo um gênero: jogos em primeira pessoa. A ID, é claro, se graduou mais tarde na série Quake, mas foi Doom quem gerou uma horda de clones — tais como Duke Nukem 3D  , Heretic e Hexen, para citar apenas alguns. E, quase uma década depois, até o protagonista de Halo, o famoso Master Chief, tinha uma semelhança genérica com Doomguy.Mas a era de ouro dos hilariantes e ultraviolentos jogos de tiro não durou. Com os avanços gráficos, o gênero foi ficando cada vez mais fraco. GoldenEye para o N64 foi uma homenagem às cenas do filme de James Bond, a Segunda Guerra Mundial se tornou um tema popular ( principalmente com Medal of Honor, Battlefield e Call of Duty)até que chegamos em Half-Life que veio com um forte foco na narrativa. Ainda, as mecânicas de como mirar em pontos específicos, agachar-se e espreitar tornaram-se mais comuns. Foram-se os dias em que você, sem pensar, destruía tudo que se mexia. Tudo ficou um pouco cerebral demais. Com Doom eu nunca parei para perguntar por que estava em Marte ou Phobos ou o que quer que seja e, muito menos, por que alguns demônios as invadiram. Tudo que eu sabia era que eu tinha uma deliciosa variedade de armas com as quais eu deverias matá-los. Isso era tudo o que importava.Eu nunca joguei Doom 3 (2004), o primeiro jogo “realmente em 3D” da série, mas peguei meu pai jogando ele algumas vezes. Como uma tentativa realística e sombria, a trajetória dos jogos de tiro da época provavelmente haviam o afetado. Embora aclamado pela crítica, sempre me disseram para não me incomodar em jogar Doom 3 se eu gostava do espírito do jogo original.É por isso que o rebootem 2016 foi igualmente temido e antecipado — com a ID no comando novamente e a publicação a cargo da Bethesda, muito poderia dar errado. Eu entrei de cabeça porque “foda-se, é Doom” e estou feliz por ter feito isso. Embora os jogos de tiro não sejam de forma alguma o meu gênero favorito, Doom [2016] arrastou o estilo da velha escola para o século XXI com jogabilidade de qualidade, inimigos e armas reconhecíveis, e um ritmo alucinante, ao mesmo tempo em que mantinha um minimalismo ímpar sem se importar com a narrativa.Então, aqui estamos, em 2020, em meio a uma pandemia global catastrófica, com outdoors surgindo nas ruas vazias proclamando o lançamento de “DOOM ETERNAL”. Você pode pensar que seja de mau gosto caso não soubesse que a data de lançamento original, no final de 2019, já tivesse sido adiada para 20 de março anteriormente. Mais uma vez você assume o manto do Doom Slayer, ou “Doomguy”, como os fãs o chamam, o fuzileiro naval sem nome dos primeiros jogos e que apenas neste o reboot começou a ser retratado como uma espécie de lendário guerreiro divino que está empenhado em proteger a humanidade de incursões demoníacas e que, assim como os dois primeiros jogos dos anos 90, pularam de Marte para a Terra. Essa é uma das diferenças mais marcantes entre Doom Eternal e o Doom de 2016 — o último o desencadeou uma aventura com diálogos e textos que você poderia prestar atenção se quisesse, mas o primeiro te coloca em uma odisseia de ficção científica/fantasia e mete goela abaixo várias cenas, hologramas de 20 pés [6 metros] e pilhas de histórias [lore] que podem ser encontrados espalhadas em cada mapa. Aliens, ordens galácticas antigas, universos alternativos … blá blá blá. Apesar de todo o novo mundo de Eternal eu tive dificuldade em me preocupar com o que isso significava e me vi perguntando: “Quem é você e isso importa?” eu só estou aqui para triturar e rasgar, parafraseando o próprio Doomguy na história em quadrinhos de 1996 baseada no jogo e nesse esquisitão em um resort sexual jamaicano.Felizmente, a jogabilidade conturbada fornece uma grande quantidade de sangue e tripas demoníacas. A sangrenta habilidade chamada de “Glory Kills” — provavelmente a melhor coisa trazida pelo retorno de Doom em 2016 — permite ao jogador finalizar manualmente um inimigo enfraquecido com o toque de um botão que desencadeia uma animação maravilhosamente explícita e que ainda por cima ajuda a recuperar a sua saúde. Uma quantidade maior de mecânicas do jogo anterior também reaparece, embora desta vez você as tenha ao seu alcance desde o início. A mobilidade é um negócio muito maior, agora o Doomguy pode correr a 100 quilômetros por hora [como no jogo de 2016], mas com a capacidade de dar um salto duplo e fazer manobras evasivas no chão ou no ar, o que é crucial, afinal, ser difícil de acertar ajuda a virar a maré das batalhas mais agitadas, enquanto ficar parado e atirar à distância significa uma morte rápida — seus inimigos fecharão o cerco, pode ter certeza.O combate segue o plano estabelecido de corredores carregados de emboscadas que levam a áreas abertas, tipo arena, que ficam trancadas até que a presença demoníaca seja completamente destruída, permitindo que você progrida. Os 13 níveis têm uma aparência exteriormente complexa, mas graças ao HUD desordenado e extraordinariamente vistoso (para um jogo da série Doom ), você nunca se perderá , principalmente com o onipresente marcador de missões da Bethesda, algo vindo direto de Skyrim . No entanto, seguir em frente nem sempre é simples e você precisará usar esses saltos e essa nova verticalidade em manobras mais sofisticadas para superar obstáculos e quebra-cabeças frequentes, tudo no melhor estilo dos jogos de plataforma. Agora você pode agarrar em paredes e pular para outras superfícies escaláveis também, o que geralmente te leva à descoberta de segredos nos mapas — outro item básico da série — se você estiver inclinado. Seu arsenal se torna mais mortal à medida que você pega armas novas e familiares, com um total de oito descobertas ao longo do jogo — sem incluir o Unmaykr“secreto”, que rivaliza com a icônica BFG em poder destrutivo e só pode ser desbloqueado completando todos os portões de extermínio e estágios de bônus com desafios. Você precisa encontrar a chave para cada um deles antes de poder enfrentá-los, no entanto.Estranhamente, não há pistola de munição infinita no novo Doom, o que torna a espingarda de combate a arma inicial. Seis armas podem ser modificadas, com dois modos de disparo para alternar, dependendo do que a situação exigir. Alguns demônios agora têm pontos fracos ou são particularmente suscetíveis a um modespecífico, por exemplo. Existem também duas variedades de granadas, explosivas e congeladas, que também podem ser trocadas em tempo real.A confiável motosserra retorna do mesmo modo que em 2016, exceto — novamente — que agora você a possui desde o início. Contanto que você tenha combustível suficiente, ele acertará os inimigos de uma só vez, fazendo com que seus pedaços ensanguentados vomitem munição, saúde e armadura. Isso é útil porque, com reservas tão pequenas de munição para cada arma sem atualização, você está constantemente no limite de munição, fazendo do uso da serra elétrica algo obrigatório. Não fica claro se isso é apenas para forçar as animações legais de estripação. De qualquer forma, é uma escolha de design estranha e às vezes frustrante.Ah, sim, quase esqueci — um lança-chamas montado no ombro irá estripar demônios e fará chover estilhaços de armadura. Útil para sair de cantos apertados. Mas é isso que acontece em Doom Eternal — existem muitas mecânicas. É preciso alguma prática para aprender como usá-las efetivamente, porque você simplesmente esquece que algumas existem, apesar do jogo, em alguns momentos, parecer fazer uma pausa para um tutorial [o problema é que isso pode se repetirá a cada cinco minutos] que, no final das contas, resulta em algumas horas perdidas aprendendo a jogar, efetivamente, com o personagem e suas novas habilidades. Você também pode atualizar sua “Praetor Suit”, melhorar suas armas e desbloquear vantagens com os recursos coletados no jogo.Se a abordagem de Doom 2016 foi o maximalismo mínimo, Doom Eternal é camada após camada de tudo o que se pode imaginar, dentro e fora da jogabilidade real. Por fora, nos menus, o novo Doom está inchado com inúmeros desafios do tipo “Desbloqueie isso! Desbloqueie aquilo! Tenha essa quantidade de XP para obter esse cosmético! “ etc. Outra irritação é que você precisa registrar uma conta no Bethesda.net antes de poder fazer qualquer coisa. É um sintoma dos jogos AAA do momento, e pra ser sincero, eu não ligo para isso. Essas coisas provavelmente beneficiarão o jogo multiplayer — um modo assimétrico onde você pode jogar como um dos muitos monstros de Doom contra um único fuzileiro naval, se isso lhe agradar -, mas, com toda a certeza, os fãs veteranos da franquia estarão mais interessados na campanha do que em serem perturbados por adolescentes.No entanto, o grande orçamento do novo Doom traz algumas vantagens. Como no título anterior, ele roda suavemente no PC. Na época, eu consegui rodar a 60FPS [bastante estáveis] com os gráficos configurados nos padrões mais altos, apesar de rodar em uma GTX970 e um monitor da época, eu fiz tudo até o “ultra-pesadelo”*; agora, em Doom Eternal, eu e minha RTX2080 rodamos suavemente à 144FPS. De alguma forma, esses jogos visualmente impressionantes são muito, muito bem otimizados  — por isso, se seu hardware mofado está lhe dando uma pausa para pensar, eu apostaria que uma GPU mediana com mais de cinco anos provavelmente poderia extrair um desempenho satisfatório do novo Doom. Mas não me leve em conta, essa é apenas uma observação baseada na minha experiência e que obviamente não se aplica aos proprietários de console.Com seus próprios pés, Doom Eternal é um jogo incrivelmente bem feito, muito divertido e genuíno quando você se diverte como um homem das cavernas [sem pensar], embora eu tenha achado que não pude “esmagá-los” com a força que eu queria. Jogos de tiro realmente têm apenas um ás na manga e isso é, sem surpresa, clicar nas coisas até que elas morram. Uma hora jogando um desses jogos costuma ser suficiente para saciar minha sede de sangue, o que é conveniente, pois uma primeira rodada de cada nível leva aproximadamente essa quantidade de tempo — perfeita para o jogador casual ou ocupado. Além disso, eu tendo a preferir jogos mais cerebraise crossovers, principalmente quando se trata de manejar bandidos com chumbo quente. Um aceno também deve ser feito à trilha sonora que se utiliza do melhor metal cibernético e cibergótico do Nine Inch Nails-meet-Meshuggah, o que faz com que os “ Blood Punches” — outra mecânica que eu esqueci que existia — sejam mais legais.O problema com Doom Eternal é exatamente o legado de Doom, e vê-lo através dos óculos de nostalgia em tons de rosa é inevitável, principalmente quando o jogo imediatamente antes de ele já fazia um excelente trabalho. Mas se você quer um jogo de tiro moderno, este deverá ser o melhor do ano.###Nota *“ Ultra-pesadelo ” também é a dificuldade mais difícil em Doomland. Antes que você pergunte, não, eu não joguei no ultra-pesadelo. “ Me machuque bastante ” já era bastante difícil, para ser sincero. Todas as capturas de tela nas configurações mais altas, mas com o motion blur desativado.Tradução do review publicado pelo The Register.