Ainda que pareça que estamos sob controle em relação ao COVID19, a verdade é que não chegamos no nosso pico de contágio e de mortes. O Brasil está, no 51º dia pior do que estavam França e EUA no mesmo período da sua pandemia. E de maneira muito semelhante à Espanha no mesmo dia.Em Porto Alegre esse cenário parece ser um pouco melhor, possivelmente por conta de dois pontos distintos: 1) Porto Alegre e o RS estão relativamente acostumados a lidar com doenças respiratórias no inverno e 2) as medidas do prefeito da cidade em relação ao isolamento social foram relativamente enérgicas desde o principio da pandemia. Ainda assim, Porto Alegre pode experimentar surtos e falta de leitos de UTI para os doentes de COVID19 que possam vir (nesse exato momento a cidade tem 38 pacientes confirmados e 12 pacientes suspeitos ocupando 50 leitos de UTI; a taxa de ocupação da cidade está ao redor de 60%).Pensando nisso, e como estudo dessa quarentena, resolvi plotar o gráfico de casos, a curva de tendência e a tabela de previsão para a cidade de Porto Alegre.Tabela ao final do período para Porto Alegre.Abaixo, o gráfico mostrando as três retas possíveis (previsão, cenário otimista e cenário pessimista).Previsão de casos para Porto alegre para os dois cenários (otimista e pessimista) em conjunto com a reta de casos oficiais.Porto Alegre ainda parece estar num cenário administrável, ou seja, com capacidade de lidar com os casos tanto no SUS como nos hospitais privados. Ainda assim, a reta de tendência do número de casos de Porto Alegre que teremos algo ao redor de 550 casos no dia 3/5, o que, mantendo a atual taxa de letalidade do vírus por aqui (2,1%) nos jogará num total de 12 óbitos.Caso o Brasil — e Porto Alegre — comecem a ter mais testes, essa taxa de letalidade tende a baixa e o número de casos tende a subir acima da reta de tendência.Evolução da pandemia em Porto Alegre.Ainda, por mais que tenhamos uma boa ideia de como nos prevenir da infecção de como nos manter saudáveis — física e mentalmente — a tendência, contudo, é de uma explosão de casos dentro de 7 ou 10 dias, oriundos do afrouxamento das regras de isolamento social que vemos hoje e das carretas e protestos que pipocaram pela cidade pedindo a volta das atividades comerciais.Outro dado importante de se averiguar é a ocupações dos leitos de UTI em Porto Alegre e que apresenta uma tendência de estabilidade ao longo da série.Evolução da ocupação dos leitos de UTI em Porto Alegre.O arquivo (Excel) pode ser baixado aqui:[embed]https://1drv.ms/x/s!AqnXWjzAPilQlc4zRVRBezmCp4vRrQ?e=k0tcqE[/embed] Para quem quiser trabalhar com os dados oficiais do governo, usando todos os estados, eu recomendo o arquivo CSV que o Ministério da Saúde disponibiliza todos os dias no site Coronavírus Brasil.** Conclusões17/04:** Porto Alegre registrou um óbito e 11 novos casos, elevando assim para 377 o número de casos e 9 óbitos. O número de casos segue uma tendência linear levemente acima da previsão conservadora (que indicava 373 casos)e ainda bastante distante da previsão agressiva (que indicava 402 casos). Ainda, os leitos de UTI ocupados por pacientes confirmados com COVID19 passaram para 40 e os com suspeita para 19. Leve aumento.03/05: Ainda que eu ache os dados muito estranhos para Porto Alegre — uma vez que tivemos uma série de passeatas e carreatas do longo dos primeiros quinze dias de abril — registrando apenas 3 casos entre o dia 02/05 e o dia 03/05 (hoje) e com um dia de registro de apenas um caso, esses são os dados oficiais, liberados pela PMPA e acessíveis através dos relatórios diários sobre a pandemia.De modo geral, o porto-alegrense tem se comportado bem durante o período, talvez por memória genética do inverno que sempre traz consigo milhares de novos casos de pneumonia e SRAG. Ainda precisaremos olhar mais atentamente aos dados de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda) haja visto o seu crescimento significativo desde o inicio do período pandêmico, o que pode estar gerando subnotificações tanto de casos como de mortes ou, por outro lado, pode ser apenas consequência do stress e do medo das pessoas de contrair a COVID-19 levando-as à buscar atendimento quando surgem quaisquer sintomas respiratórios. Isso vai ser esclarecido, mas creio que apenas passada a pandemia ou, pelo menos, a primeira onda de infecções.Outro ponto a se considerar, ainda, é a taxa de ocupação dos leitos de UTI, que hoje está ao redor de 70% no total, para pacientes COVID e não-COVID, e que aumentou ao redor de 10% ao longo dessa série.Infelizmente, chegamos no dia 03/05 com mais óbitos do que o previsto, 16 contra os 12 previstos inicialmente, o que indica subnotificação, falta de testes ou aumento da letalidade do vírus em Porto Alegre.** Para maiores informações e modelos mais apurados, eu recomendo fortemente o canal do Professor Álvaro Ramos do Instituto de Matemática Aplicada da UFRGS. No canal dele existem vários vídeos explicativos sobre os casos de COVID no RS e em Porto Alegre.Para quem não acompanha a pandemia tentando extrair dados, o melhor vídeo é o último do canal, onde ele dá um bom panorama sobre o crescimento e disseminação do vírus pelo estado do RS e na cidade de Porto Alegre.[embed]https://www.youtube.com/watch?v=lomW5O7jmO8[/embed]