layout: post title: Não sabemos mais como o COVID está no Brasil. tags:

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    —Esqueça as previsões e os dados, eles não valem mais de nada.A grande sacada do Bolsonaro, depois inclusive dos
    protestos pedindo intervenção militar,
    AI-5 e
    fechamento dos 3 poderes, foi a demissão do ministro Luís Henrique Mandeta. Mandeta que não era exatamente uma pessoa aprazível, claro; por exemplo,
    era eleito pelos planos de saúde com a ideia central de sucatear o SUS e exterminá-lo. Foi ele quem, por exemplo,
    acabou com o intercâmbio da medicina cubana no Brasil através do programa Mais Médicos (MM) o que levou ao caso e à saturação de diversos setores sanitários pelas cidades do interior do Brasil, locais ermos onde os nosso médicos não aceitam clinicar (e onde médico nenhum ganha os usuais mais de R$50 mil mensais que eles estão acostumados nas capitais e sua clínicas privadas).Mas Mandeta ainda era médico e, como tal, ainda prezava pelo seu juramento de formatura e sabia da importância dos dados confiáveis (mais ou menos) do Ministério e, mais do que isso, da importância de seguir a cartilha de combate do novo coronavírus que a OMS espalha pelo mundo. Sabia também que uma eventual crise sanitária e uma pandemia de proporções bíblicas lhe colocaria em maus lençóis com o povo brasileiro; sendo assim, a única saída, e também a racional, era seguir a cartilha de distanciamento social, testes em massa e controle dos dados de infecção e de crescimento das curvas epidemiológicas pelo país.E foi por isso que ele foi demitido dia 17 de abril de 2020.O ego do presidente ao se ver questionado em sua alienada jornada ao fim do mundo aliado ao fato de que a narrativa mundial sobre o vírus não corroboram a sua narrativa suicida o levaram a demitir o então ministro e o substituir por outro médico, mais afeito a mentir e escolher o dinheiro ao invés das vidas. Era esperado, afinal. Esse é o modo de governar de Jair e, mais do que isso, é o que clama o séquito sedento por sangue que ele conclama a cada novo episódio que o contraria. Eric Hobsbawn nos chamaria de país dos extremos.Mas isso era esperando, claro. O que não era esperando, ao menos não de forma tão contundente, rápida e mentirosa, era a maquiagem nos dados sobre a propagação da doença. Ao mesmo tempo em que Manaus abre trincheiras para enterrar corpos e e SP bate recordes e recordes de internações por síndrome respiratória aguda, os dados do Brasil baixaram significativamente em 3 dias. Caímos de uma média de +200 mortes diárias pra ~100 e de um aumento de casos de ~3000 casos diários pra pouco mais de 1900. Foi uma queda abrupta de 10% em 3 dias do novo ministro, alinhado com a agenda econômica de Paulo e com a agenda ideológica de Jair, que não se justifica, senão, pela mentira.Abaixo notamos perfeitamente a queda abrupta após a demissão de Mandeta.Aqui, o mesmo gráfico indicando a queda abrupta, mas dessa vez com fonte do Word Metrics.Some-se a esses dois gráficos indicando uma queda muito grande, anormal, com o fato de ontem o MS ter anunciado primeiramente um recorde de 383 mortes diárias (condizente com a situação do país) e logo depois ter corrigido esse número para pouco mais de 100 (número irreal dada a reta de contágio e mortes do país até o momento).Não vivemos apenas sob a ameaça de um presidente sem preparo, de uma economia em frangalhos, de um ministro da economia incapaz e de um junta militar sedenta por sangue e poder; vivemos sob a mentira deslavada de um presidente sem partido e sem capacidade e que, quanto contrariado, se comporta como uma criança que não ganhou presente de natal.Quantas vidas isso vai nos custar? Quanto essa aventura na extrema direita vai nos cobrar?Talvez o Brasil não vá mais existir depois de Bolsonaro.**
    Update
    a contagem parou de cair, mas segue num patamar ilusório que não condiz com a realidade dos dias anteriores à queda do ex-ministro. Seguimos com aumento de 5% em mortes e casos.