Esse texto é uma colagem de várias referências e da minha própria opinião sobre o poder judiciário, advogados e juízes, mas, principalmente, cito ipsis litterispor diversas vezes o vídeo do Quadro em Branco sobre o Carniceiro dos Deuses que mistura Thor, Tocqueville, aristocracias e quadrinhos.Para Alexys de Tocqueville, eles [os Deuses] poderiam muito bem ser comparados com o corpo do direito americano. No ensaio “Judiciário: entre a justiça e a política”, de Rogério Bastos Arantes, Tocqueville foi um dos pensadores que melhor entendeu o regime político americano e sua relação com o judiciário, esse estranho corpo insulado de funcionário públicos acumulando privilégios e garantias incompatíveis com o regime republicano, mesmo em uma sociedade crescentemente igualitária pós-revolução.E é nessa contradição que Tocqueville faz um dos achados decisivos para explicar a formação política das democracia liberais modernas:>“Se me perguntassem onde se situa a aristocracia americana, responderia sem hesitar que não se situa entre os ricos, que não possuem nenhum traço comum que os assemelhem. A aristocracia americana está no banco dos advogados e na cadeira dos juízes” A analogia de Tocqueville entre o corpo judiciário, composto por advogados e juízes, encontra respaldo ao pontuar tudo aquilo que os assemelha como classe social que recaí no fato de que os juízes gozam de garantias e privilégios monárquicos, mesmo em uma sociedade que se ergue sem garantias nenhuma, senão a fome.Segundo Toecquville, ainda existe no fundo do corpo judiciário o gosto eterno pelas regalias aristocráticas. Como ela, eles possuem uma queda instintiva pela ordem, um amor natural pelas formas. Assim como a aristocracia, ainda, criam um desgosto pela ações da multidão [povo] e secretamente desprezam o governo do povo. Na nova América, onde não existe nobres e o povo desconfia dos ricos, o juristas são vistos [e assim se conclamam] como uma classe política superior e a porção mais intelectual da sociedade e por isso mesmo só poderiam perder ao inovar. E com seu supersticioso respeito a tudo que é antigo, o seu gosto pelas formas e seu hábito de proceder com lentidão, surge também um interesse conservador ao gosto que eles mantém pela ordem.A ideia de que os juízes e advogados são uma porção superior ao resto da sociedade encontra respaldo sempre que a sociedade em questão se depara com uma crise política que desestabiliza as bases dos três poderes. Os dois primeiros são facilmente modificáveis através do voto, contudo, o judiciário, com sua ordem e hierarquia próprias, vivendo em uma redoma de vidro alheios à sociedade que pertencem, são imortais. Estão alheios à democracia e não se preocupam com os votos, com o povo e com as suas decisões; são monarcas modernos vivendo em regime de regalias. Por isso mesmo é preciso duvidar do judiciário, do advogados e juízes.No livro “Motivações Ideológicas da Sentença” do Rui Portanova, ele defende que o nosso sistema judiciário mascara de várias formas de ser verdadeiramente igualitário e imparcial e assim se esconde sob frases como “dar a cada um o que é seu” que pode significar dar ao pobre a pobreza e ao rico a riqueza. Sob essas alegações, Portanova desconstrói várias falácias sobre o sistema judicial, entre elas a ideia de que o juiz é neutro.Sobre o direito tradicional é dito que deve zelar pela ordem, segurança e paz.**Mas que ordem?

Que segurança?

Que paz?**Ou melhor, a ordem, segurança e paz de quem?Portanova chama atenção, principalmente, para o fato do judiciário ser afetado por suas concepções conservadoras do mundo, tais como formação familiar, educação, valores de sua classe social, aspirações e tendências ideológicas de sua profissão. E então é levado a dar significado àquela ordem de valores imprimido em sua consciência individual e depois, então, dar a sua sentença. Essa é a motivação ideológica da sentença. Como um conjunto de identificação, saberes, diretrizes e pautas de conduta vão influenciar mais ou menor os advogados e juízes. Valores como escola (educação), preconceitos, religião e costumes. O juiz que diz que seu julgamento é neutro está pautado em uma base conservadora de julgamento.E tendo a grande maioria dos advogados e juízes partido de locais privilegiados da sociedade, é fácil entender o direcionamento da sentença e não é surpresa entender como e porque eles sempre irão no sentido de conservar a ordem, mesmo que essa seja a ordem vigente de exploração. O cidadão estaria melhor informado, afinal, sobre as sentenças se cada magistrado fosse claro sobre as suas inclinações ideológicas e não se esconder sob o véu da neutralidade que se mostra, afinal, conservadora.