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    —E ela provavelmente vai lhe matar.O presidente Jair Bolsonaro Foto: Evaristo Sá / AFPPorto Alegre, estranhamente e a exemplo do Brasil, começa a ver uma redução drástica dos casos de COVID19 nos hospitais e UPA’s da cidade. Não é algo que seja modelável, claro, mas a tendência da cidade está sendo abaixo da previsão otimista desde o dia 19/04/2020. Até esse dia as retas oficiais e da previsão otimista estavam quase sobrepostas, o que se explica pelo fato da cidade ter aderido ao isolamento social relativamente cedo e, principalmente, tem uma baixa taxa de fluxo de turistas no verão, pelo contrario, Porto Alegre exporta pessoas pra outros locais (e essas, quando retornavam, entravam automaticamente em quarentena).Nacionalmente podemos comparar os dados oficiais com os dados dos cartórios acerca de mortes por alguma síndrome respiratória. Ontem a diferença entre ops dados oficiais de COVID19 e os dados de mortes dos cartórios passou de 600 mortes. Muito, muito mesmo. Ainda mais que esse número era, antes da troca de ministro, estável do redor de 100.Infelizmente não temos os dados dos cartórios sobre as mortes em Porto Alegre (bom, até temos, mas eles não estão sendo divulgados como os nacionais) para fazer uma devida análise das mortes e casos que estão ocorrendo na cidade.Mas a prefeitura lança diariamente um relatório sobre a pandemia de COVID19 na cidade com todos os dados levantados pela secretaria de saúde da cidade e pelo DataSUS.Analisando esses dados de maneira completamente amadora, podemos ver que as internações e atendimentos por problemas respiratórios em Porto Alegre estão batendo recordes para o período (e com número muito semelhantes ao meses de junho/julho, auge do inverno no RS).Aqui vemos a quantidade bruta de atendimentos na cidade:Fácil de perceber que estamos MUITO acima do normal para o período e até mesmo para os meses de frio intenso. Ao mesmo tempo, a taxa de ocupação das UTI’s segue ao redor de 70% em quase todos os hospitais:Ainda assim, a PMPA libera dados que não condixzemcom essa realidade. No momento, por exemplos, temos 415 casos totais em POA, com 30 leitos de UTI ocupados por pacientes com COVID19.Nacionalmente o Brasil conta com 2906 mortes oficialmente, 2940 mortes através dos observatórios internacionais e 3719 mortes via cartórios, contudo,
    o Brasil ainda tem outras 2771 mortes por “síndrome respiratória desconhecida”:>Dados do Ministério da Saúde atestam que, até a última segunda-feira (20), 2.771 pessoas morreram por alguma síndrome respiratória não identificada. De acordo com especialistas, é provável que boa parte tenha sido causadas porCovid-19
    , mas a doença não foi confirmada por problemas em exames ou falsos negativos. Oficialmente, até a mesma data, o ministério contabilizava 2.575 mortes por coronavírus.
    Se fossemos contar todas as mortes de fato — oficiais + desconhecidas — o Brasil teria, hoje, 5677 mortes por COVID19, um número que condiz com duas características da epidemia por aqui:*A baixa adesão da população ao distanciamento social (motivada pelo presidente)
    A quantidade de mortes quando comparado com outros países no mesmo períodos (Espanha, EUA e Itália).Contudo, o governo brasileiro parece cada vez mais afeito à ideia de esconder os dados para forçar as flexibilização da abertura dos comércios e escolas de modo a acenar para os empresários, os reais donos desse país, que o lucro deles estará garantido, mesmo às custas de vidas humanas.***
    UPDATE 24/04
    acho necessário fazer um adendo ao texto porque no dia 23/03 o Ministério da Saúde confirmou 407 mortes em 24h no Brasil, a maioria oriunda dos testes que estavam represados em SP.Ainda, o G1 publicou uma matéria falando da subnotificação alarmante que está ocorrendo no RSonde os casos de SRAG cresceram abruptamente quando comparados com o ano anterior, conforme a matéria:>O Rio Grande do Sul teve quase 10 vezes mais mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) nas últimas cinco semanas, do que no mesmo período de 2019, segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde (SES). Do dia 15 de março ao dia 18 de abril, 195 pessoas morreram pela doença. Já do dia 17 de março ao dia 20 de abril de 2019, 20 pacientes foram a óbito por SRAG.

    O número de casos também apresenta um grande aumento. Nestas mesmas cinco semanas de 2020, foram registrados 2.182 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave. Já no mesmo período de 2019, foram 182 casos, aumento foi de quase 12 vezes. Ou seja, podemos tranquilamente colocar o RS com mais de 3 mil casos e por volta de 200 mortes por COVID19. infelizmente, não podemos inferir muita coisa sobre Porto Alegre, mas a verdade é que, por mais que tudo indique um achatamento da curva por aqui, a tendência é que estejamos com uma enorme subnotificação no estado e, mais ainda, entrando em dois períodos críticos: inverno e o intervalo de tempo onde as pessoas que foram infectadas nas carreatas e protestos pela abertura do comércio irão precisa de atendimento médico de emergência.De forma pragmática, o distanciamento social no centro de Porto Alegre não existe mais, as taxas de isolamento em todo o Brasil estão abaixo de 50% (o ideal para a fase de mitigação é de 70%), e as zonas periféricas estão começando a sentir os efeitos da aglomeração nas casas e bairros e despontando na crise.