O Chapolin Colorado>Um herói não é aquele que não tem medo, é aquele que, mesmo com medo, faz o que precisa fazer. Sempre gostei do Chapolin mais do que Chaves quando era criança, mesmo sem entender as piadas sobre mulheres. Depois de velho, segui gostando mais do super-herói latino-americano do que o menino órfão da vila.Depois de velho, novamente, a maior característica que me saltava aos olhos quando eu assistia o programa era, exatamente, a força que ele fazia para não ter de entrar em confusões ou brigar com os inimigos. Cada volta que ele dava tentando fugir do Racha-Cuca era uma celebração do estilo de vida mambembe, canastrão e malandro dos sudacas.Bolaños sempre foi além de um simples seriado com sua criação. Ambíguo, Chapolin era o homem latino escarrado nas suas incapacidades — sejam física, sejam econômicas — e no seu medo demasiado de perder-se. Não era um personagem fácil de fazer sucesso, ainda mais quando comparada com o órfão que une a América Latina ao redor da sua narrativa universal àqueles que moram nesse torrão de terra, selva e sangue que chamamos de América do Sul. Mas mesmo assim, Chapolin fez sucesso, e mais do que o esperado, dizem, tratando de problemas aparentemente banais com soluções infantis e crenças torpes. Burro, medroso e incapaz. Se Chaves era a essência da vizinhança desse pedaço da América, Chapolin era a essência política que esse zapatistaencontrou em sua visão dele mesmo (e de nós todos).Surpresa minha quando vi esse vídeo onde o próprio Bolaños explica que essa é a característica fundamental do Chapolin (ser um herói humano, medroso e falho).Se tem algo que sempre será a união latino-americana de fato é a obra desse pequeno Shakespeare mexicano.https://streamable.com/ah6pwm