Não costumo coadunar com qualquer precisão feita por pessoas ligadas à BOVESPA ou que aceitem adentrar no maior esquema de pirâmide da humanidade — bolsa de valores -, contudo, tenho visto diversas manobras do Brasil em relação à economia e, no meu parco conhecimento sobre o tema, tudo o que eu vejo é uma pressão inflacionária através de “socorros” a empresários — apenas os grandes -, que esvaziam o caixa primário do país e colocam mais dinheiro “gerado” na economia.Abaixo, uma tradução que reforça essa impressão, com a qual eu concordo, mas recheada de uma visão “liberal” que eu não concordo, mesmo assim, acredito que o melhor a fazer é circular esse tipo de conhecimento e essas previsões sobre a economia brasileira.Com ou sem COVID19 eu tenho certeza que estaríamos numa zona escura hoje em dia. A COVID19 é apenas uma desculpa muito boa pro governo Bolsonaro/Guedes se esquivar dos problemas criados pela política econômica deles e antes deles (Temer) que vai desaguar em um massivo desemprego, inflação e, possivelmente, a volta do rentismo como grande empreendimento no Brasil (não que eu tenha deixado de ser em algum momento, mas vai ser fortalecido depois das políticas atrapalhadas do Paulo Guedes, principalmente).Fonte original: https://www.no-shortcut.com/brazil-credit-risk-or-not/###Brasil: risco de crédito ou não? Compre títulos. Abaixo está um gráfico contendo:Taxas sobre os índice CPI do Brasil para serviços + CPI *Relação entre DÓLAR e REAL; *Taxa de Desemprego (%)E depois um gráfico contendo:Manchete do CPI + taxas de swap de longo prazo Taxas de swapmais longas x taxa spot (inclinação) *Taxas de swapde longo prazo x inflação realizada (real mantém uma posição receptora de longo prazo)Portanto, a inclinação da curva implica em uma dessas hipóteses (ou ambas):A inflação voltará no futuro e o que o BACEN está fazendo agora (cortar as taxas para todos os mínimos de tempo 3T2020 para abaixo de 2,5% do CDI) está completamente errado. O risco de crédito está aumentando no Brasil e não conseguiremos pagar nossas contas.Agora algumas reflexões:Do primeiro gráfico pode-se ver que, desconsiderando algumas das principais microrreflexões com as quais a Dilma fez asneira em 2012–2014 [1], tanto a inflação brasileira como a inflação de serviços (menos volátil, mais estável) subiram muito acima da faixa de metas de inflação do BACEN. Mas o que também aconteceu durante esse período foi uma queda bastante acentuada no desemprego. No final dos anos da Dilma/PT, o Brasil estava vendo o pleno emprego e, portanto, as pressões salariais do setor privado junto aos governos públicos nos níveis federal, estadual e municipal também subiram. Essa é de fato a fórmula para uma inflação maior e, no final da permanência da Dilma, uma desvalorização acentuada da moeda.Depois que a Dilma e nossos maravilhosos políticos nos foderam e derrubaram a economia nos jogando na maior recessão até o momento, eles mataram a inflação através do aumento do desemprego e da desalavancagem massiva da economia. Além disso, começando com Temer e passando pelo governo Bolsonaro + Guedes, o país ainda experimenta uma enorme folga e um setor privado que não tem nenhum apoio governamental — pelo menos até recentemente.Assim, de volta aos preços de mercado das taxas de longo prazo, muita gente se assusta afirmando que a inflação brasileira voltará.Essas pessoas apontam o seguinte:Desvalorização cambial em curso -> final de 2018 a dez2019 -> USDBRL +22%. 1T20 outro +29%. Insolvência: aumento do risco de créditoMAS os fatos:O Brasil possui mais moeda estrangeira do que deve dinheiro a estrangeiros (superávit). Assim, basicamente, o balanço melhora à medida que o REAL desvaloriza. *O setor privado reduziu seus passivos em moeda estrangeira porque os rendimentos em reais caíram drasticamente e os mercados de capitais locais foram capazes de absorver muita emissão de crédito, portanto o risco cambial dentro do setor privado também é muito menor. *O país pode imprimir sua própria — desvalorizada, sim — moeda para financiar seu crescimento se as contas externas do país estiverem indo minimamente bem -> o que deve considerar o nível de desvalorização da moeda vista. O mesmo aconteceu em 2012–2015 com a relação entre REAL e DÓLAR em 2,50 -> 4,0 e o déficit de C/A de 4,5% para algo quase inexistente (NT: flattish, no original, quer dizer algo “plano” sem curvas). *De onde virão as pressões sobre os preços se antes da COVID19 o desemprego ainda estava próximo dos máximos históricas e, ainda mais agora, vamos vê-lo aumentando e com ampla folga na manufatura e nos serviços? *Com o que será que essa inflação que vai se parecer no Brasil, devido a uma a essa transferência de moeda que ainda não apareceu quando mesmo nessa desvalorização de 30% do REAL em 18 meses até o final do 1T20? *O IPC do final do ano de 2020 deve estar abaixo de 1%. Os breakevens de 2022 estão abaixo de 2,3% *Algo interessante, contudo, é que todo o planeta vai estar explodindo com déficits fiscais e os rendimentos médios dos títulos globais estarão em todos os momentos baixos.Então, sobre o último gráfico, muito do que é mostrado ali como ruim já foi previsto — ou seja, nossa política que é uma droga.Apesar do Brasil ser um país de merda em muitos aspectos em relação ao dólar (EUA, CAD, AUD, NZD) ou outra DM, não acho que nossas instituições ou nosso povo sejam como os da Argentina ou da Venezuela, que já têm uma economia dolarizada. O Brasil é uma economia relativamente fechada.Sim, falta ao país um povo educado para agregar mais valor na manufatura, na produção de software e para eleger os políticos certos, mas a exportação de commodities ainda pode ser feita para ajudar a colmatar o déficit na poupança interna e, como nossos os nossos empresários sobreviveram aos últimos 10 anos, eu acredito fortemente que eles vão sobreviver nos próximos 10, afinal, é um ambiente de negócios relativamente oligopolístico o que temos por aqui.Então, em termos práticos, esses rendimentos de longo prazo parecem bastante suculentos, apesar de uma multidão de políticos imbecis e bobos da corte, incluindo nosso amado presidente Bolonaro.Digo, os 550bp de inclinação de curva nominal e os 700bp em real carry estão em um tamanho que está de acordo com o esperado, ou seja, jogue com os intervalos nominais e continue rolando esses receptores de swap de longa data como se fosse um jogo (re)conhecido.–>[1] A Dilmareprimiu os preços da eletricidade e interveio na política de preços de combustíveis da Petrobras, o que quase levou a empresa à falência.