Quase todo mundo que precisa do auxílio emergencial, eu incluso, que deverá ser pago em 3 parcelas de R$600 mensalmente para, de alguma forma que eu realmente não sei como, pagar as contas dos profissionais autônomos e desempregados, está no mesmo barco: esperando o pagamento (seja da primeira parcela, seja da segunda) vendo, diariamente, novas previsões da CEF serem empurradas para uma nova data.Em cada data que lemos nos jornais, invariavelmente, lemos que os dados estão sendo cruzados em diversas bases de dados do governo federal pelo DATAPREV e, consequentemente, sendo enviadas ao ministério da cidadania para que, enfim, seja enviado à CEF o pagamento da parcela.O que surge aos olhos — além da demora, da falta de informações concretas do ministro Onix, da extensão das datas constante e da incapacidade do governo de pagar — é a demora em alguns casos da análise para dizer se a pessoa em questão irá ter ou não direito ao auxilio emergencial. E essa demora, invariavelmente, está ligada à demora do DATAPREV em lidar com os dados e na demora do ministério da cidadania.Nessa linha de raciocínio o culpado pela demora seria o órgão do DATAPREV, responsável pelo cruzamento de dados. O DATAPREV é o grande “hub” de concentração de dados dos brasileiros de todas as classes sociais. Dados pessoais, como sabemos muito bem, hoje são a grande moeda do mercado financeiro. Facebook, Google, Xiaomi, Apple; todas as empresas de tecnologia e de economia, hoje, estão de olho nos dados pessoais de todos nós. Na web somos um produto à venda, em uma vitrine bem lustrada. Claro que os políticos da matriz (neo)liberal estão antenados com isso — dinheiro fácil para quem está em posse dos dados de milhões de pessoas —  inclusive com o atual governador de SP, na época prefeito de SP, tentando vender os dados do bilhete único em 2017.Hoje o Brasil está sendo governado por uma quantidade imensa de liberais da escola de Chicago, contrários a ideia de que o Estado deve cuidar dos mais necessitados, prontos para vender todos os ativos possíveis do estado brasileiro. E todo mundo sabe que para vender estatais primeiro você deve sucateá-las, criar na população a sensação de que o órgão é mal gerido e desnecessário e, principalmente, não cumpre o seu papel social dentro do Brasil. Vimos isso com FHC ao sucatear a CRT (no RS), bancos estaduais e municipais, Vale e tantas outras que entraram no projeto de “modernização do Estado” e foram vendidas a preço de banana depois de passarem por uma longa campanha de marketing contrária e um sucateamento.O DATAPREV hoje é o grande “ouro” do mercado financeiro e está na mira do ministro Paulo Guedes para ser vendido para empresas privadas ou estatais (de outros países) dando controle e acesso aos dados de pouco mais de 200 milhões de pessoas.O Auxílio Emergencial e seu atraso é, hoje, o maior projeto estatal de sucateamento do DATAPREV com vistas a vendê-lo após a pandemia (ou mesmo durante a pandemia)