layout: post title: Por que os gastos governamentais dos EUA não podem transformá-lo na Venezuela tags:

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  • Venezuela —Quando os países pobres são vítimas da inflação, não é porque são “socialistas demais”.A crescente popularidade da teoria monetária moderna (MMT) inevitavelmente trouxe conceitos errados. Críticos em todo o espectro político costumam afirmar que os defensores da MMT querem que os governos soberanos “apenas imprimam dinheiro” sem se preocupar com a dívida nacional ou, como sugere Max B. Sawicky, com a inflação. Alguns, especialmente à direita, apontam a Venezuela e o Zimbábue como casos clássicos de hiperinflação .Mas a MMT aponta para uma causa primária diferente de inflação nos países em desenvolvimento: não são os gastos domésticos, mas a dívida externa e uma resultante falta de “soberania monetária” que resulta, em último caso, na inflação desses países.Um país tem soberania monetária total quando possui sua própria moeda nacional que não é fixada ao valor do ouro ou da moeda de outra nação e pode usar essa moeda para impor impostos, taxas e multas; e toda a sua dívida é paga nessa moeda. Países que atendem a esses critérios, como Estados Unidos e Japão, não enfrentam restrições externas aos gastos do governo, como explica Pavlina R. Tcherneva . O risco de inflação permanece sob controle, desde que os gastos do governo não ultrapassem a capacidade produtiva real da economia — a disponibilidade de recursos físicos, mão de obra qualificada, equipamentos e conhecimento técnico.Para os países em desenvolvimento, no entanto, o problema começa com os déficits comerciais e a dívida resultante destes que se apresenta em moedas estrangeiras.Esses déficits são o produto de deficiências econômicas fundamentais, muitas vezes um legado do domínio colonial. Os países pós-coloniais são tipicamente incapazes de produzir alimentos e energia suficientes para atender às necessidades domésticas e enfrentam deficiências estruturais industriais e tecnológicas. Por isso, eles devem importar alimentos e energia, juntamente com insumos essenciais de fabricação. Por exemplo, a Venezuela não possui capacidade de refino, portanto, enquanto exporta petróleo, deve importar petróleo refinado mais caro, contribuindo para os déficits comerciais.Importar mais do que exportam faz com que as moedas desses países se depreciem em relação às principais moedas. Com uma moeda mais fraca, novas importações (como alimentos, combustíveis e medicamentos) tornam-se relativamente mais caras. Esse desequilíbrio é o verdadeiro motor da inflação e, muitas vezes, de distúrbios sociais e políticos.O Fundo Monetário Internacional (FMI) intervém historicamente nestes momentos de instabilidade sócio-econômica com empréstimos de emergência, juntamente com medidas dolorosas de austeridade. Para sair das condições do FMI, mesmo os formuladores de políticas progressistas, geralmente priorizam a aquisição de reservas em moeda estrangeira para honrar o pagamento da dívida externa. Eles promovem o turismo (turistas trazem moeda estrangeira) e elaboram políticas agrícolas e de manufatura para apoiar as indústrias de exportação. Enquanto isso as indústrias que conseguiram alcançar a auto-suficiência (e, portanto, corrigiram o desequilíbrio comercial), como as culturas alimentares para consumo doméstico, recebem pouco apoio do governo. Tudo isso diminui a auto-suficiência e reforça a dependência de bens estrangeiros que causaram a dívida em primeiro lugar.A maioria dos países em desenvolvimento que procuram moeda estrangeira também abrem suas economias para investimentos de empresas estrangeiras, concordando com baixos padrões ambientais, regulamentos trabalhistas fracos e isenções fiscais, aprofundando-se no buraco.Então, como seria uma solução informada pelo MMT para ajudar os países em desenvolvimento a recuperar a política monetária e sua capacidade de gastar em prioridades domésticas? O objetivo principal é reduzir as importações, garantir uma balança comercial favorável e pagar suas dívidas para que os países se concentrem nas causas profundas dos déficits comerciais: como investimento em práticas agrícolas sustentáveis (como a aquaponia) para restaurar a soberania alimentar; construções baseadas em energia renovável (como a solar) para garantir a soberania energética; e investimentos em educação, pesquisa e desenvolvimento para aumentar a produtividade e ganhar a capacidade de fabricar produtos mais valiosos. Esse desenvolvimento também aumentaria a capacidade produtiva real da economia, o que significa que os governos teriam mais espaço para gastar antes da inflação.Ao esclarecer as origens das lutas econômicas pós-coloniais, o MMT nos mostra como superá-las.** Tradução do artigo “ Why Government Spending Can’t Turn the U.S. Into Venezuela” escrito pelo professor Fadhel Kaboub e publicado no site In These Times.