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  • Sarscov2 —Dia 23 de maio (mais ou menos né, não me lembro de cabeça) o prefeito de Porto Alegre resolveu que era hora de abrir o comércio da cidade e deixar as pessoas mais à vontade com o vírus. Fazer uma coisa meio moleque e ver como o porto-alegrense, no frio e na umidade, iria lidar com um novo vírus que compromete o pulmão e os vasos sanguíneos e que coloca 1/5 dos infectados na UTI.Não deu muito certo. Os números de casos saltaram.Tudo bem, verdade seja dita que o critério de testagem de Porto Alegre mudou e agora passamos a testar a maior quantidade de pessoas possíveis. Ótimo. E isso se reflete no número de casos que “explode” (olha a concavidade da nossa curva no dia ao redor do dia 17/5).Mas, mesmo assim, podemos averiguar outros dados que a PMPA nos disponibiliza. O primeiro é o número de óbitos.São poucos, felizmente, para podermos anotar uma tendência de alta ou queda. Percentualmente a cidade se mantém ao redor de 2,5% de taxa de letalidade. Nesse período, contudo, foram 29 óbitos em 24 dias, mais do que 1 por dia na média). Não é bom.Outro indicador que podemos observar é o número de internados em leitos de UTI, sejam suspeitos ou não.Mal sinal. Desde o dia 23 de maio saímos de 74 pacientes COVID (suspeitos e confirmados) para 107, com uma subida abrupta se iniciando no dia 7 de junho (14 dias depois da reabertura do comércio local, exatamente o tempo médio de incubação do vírus). Quem diria.E aqui existe ainda mais uma canalhice, liderada obviamente pelos nossos amigos liberais, de tentar maquiar a gravidade da doença em Porto Alegre dizendo que o grande número de casos internados em leitos de UTI não dá uma imagem real do cenário da doença na cidade porque a proporção entre internador do interior e da capital é de 60:40.Isso é imbecilidade por vários motivos, dentre eles os humanos, mas principalmente porque i) essa proporção já era existente quando estávamos com pouco mais de 40 pacientes em UTI e ii) o sistema colapsa com pessoas do interior, da capital, da via láctea, de onde for. Não interessa o CEP de quem está internado em Porto Alegre e sim que essa pessoa está ocupando um leito e carregando o sistema por questões de saúde. O grande trunfo do isolamento social é manter as pessoas que não precisam estar no hospital fora do hospital, você se isola dos outros para não precisar ir pro hospital que vai estar cheio de pessoas que precisam estar lá de qualquer jeito.Qualquer pessoa que more em Porto Alegre vai saber quem disse um absurdo desses, aliás.Outro ponto que podemos (e devemos) observar durante a pandemia é o número de casos ativos (casos totais acumulados — (óbitos + recuperados)) para termos uma ideia se estamos recebendo mais pessoas doentes do que estamos curando.É. Outro indicador que não é bom pra Porto Alegre. Mas façamos uma ressalva de que, com mais testes, mais casos ativos são registrados e existe uma represagem grande nos recuperados. Os números normalmente saltam de tempos em tempos. Mesmo assim, Porto Alegre saiu de uma média de menos de 300 casos ativos para mais de 1500 nesses 24 dias.Nada bom.Tudo isso que indica que estamos num momento de crescimento exponencial (mais casos, mais óbitos, mais internados em UTI e menos recuperados) e não viramos ainda o gráfico (não mudamos a direção da concavidade da nossa curva pra baixa e muito menos estabilizamos um teto/pico diário de casos e mortes).Já foi dito pela PMPA e pela direção do HCPA que o sistema está a 15 dias, mantido esse ritmo, de colapsar e, mesmo assim, discutimos diariamente as condições de infecção e se deveríamos escolher entre trabalhar e viver.