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  • Sarscov2 —O Brasil atravessa a maior pandemia desde 1918 com um governo que está mais preocupado em não ser preso e se defender de escândalos que corroem a imagem “incorruptível” daquele que foi eleito por 57 milhões de brasileiros para “limpar o país”. Mais do que isso, o Brasil atravessa a pandemia de COVID19 sem ministro da educação e sem ministro da saúde; olhando de lado para os mais pobres e negando R$600 aqueles que não podem trabalhar. Lojas fecham, pessoas ficam em casa com fome e as contas se acumulam, mesmo assim a solução do superministro da economia é congelar salários, permitir demissões e aprofundar reformas geradoras de crise (mesmo que o Bolsonaro, hoje, quisesse fazer algo contundente contra a pandemia, não conseguiria; o Estado está completamente paralisado pela PEC257, aprovada ainda no governo Temer e que limita os gastos do governo; seria preciso, pelo menos, 15 dias para se conseguir movimentar algo legal para burlar essa PEC). Os trabalhadores, a maioria informais, não tem dinheiro para pagar nem o básico para se manterem trabalhando, graças aos cortes de direitos e à “modernização” da CLT, promovidas amplamente por setores empresariais liberais do país.Mesmo assim, nada nos preparou pro completo desastre que está sendo o enfrentamento da pandemia, com o governo criando uma falsa dicotomia entre economia e saúde. Redes de sustentação social existem para que, em momentos como esse, não se precise escolher entre trabalhar e morrer. Não existe país no mundo que irá atravessar incólume a crise, claro, mas alguns estão mais adiantados em salvar o seu povo do que o Brasil, onde a ordem parece ser exatamente o oposto.O biólogo e doutor em microbiologia, Átila Iamarino, publicou na sua coluna na FSP que o número de mortes do Brasil, dada a subnotificação e a maquiagem nos dados, é entre 1.6 e 2.7 vezes maior do que as quase 50 mil oficialmente registradas. Estamos, no pior dos casos, perto de 135 mil mortes. Fora os surtos de SRAG em estados que não testaram seus pacientes direitos (MG e MS, principalmente) e que aumentaram ao redor de 40% esse ano.Chegamos, oficialmente, ontem a 1 milhão de casos de COVID19, mas esse número é atrasado, um reflexo do passado; e subnotificado. Chegamos em 1 milhão de casos em maio ainda, no inicio de maio. Hoje estamos perto dos 3 milhões, pelo menos.Quando Darcy Ribeiro disse que o empresário brasileiro traz consigo o pendor do chicote para matar o seu empregado e que pobre no Brasil é carvão pra queimar, estava falando sobre isso. Normalizamos as mortes, as quase 50 mil mortes, como se isso fosse inevitável. Nunca foi inevitável.Duas coisas, contudo, são certas no Brasil: assim como o governo atual não cairá porque segue a agenda liberalizante que nos levará ao caos haitiano, o brasileiro também irá se acostumar com a morte dos seus pares por COVID19, como já fez com as mortes por homicídio e ação da PM. Morte no Brasil é assunto banal e ainda tem mais de 200 milhões pra morrer.A coluna, “Brasil rumo a 1 milhão de recuperados”, está no link sem paywall.https://gist.github.com/mtgr18977/084c7a07021a859acbdf5e851c6fc842