macOS Big Sur, teoricamente o primeiro macOS compatível com os novos Mac-ARM.Atualizado em 28 de junho; postado originalmente em 27 de junho.O anúncio feito na WWDC da mudança da Apple da Intel para a ARM nos próximos dois anos oferece a Tim Cook e sua equipe a chance de remodelar a plataforma Mac com uma nova arquitetura, um novo código e novas práticas.

 

Atualização de 28 de junho: Como há muito se suspeita, isso fará com que as plataformas iPad e Mac convirjam em termos de aparência e funcionalidade. A WWDC mostra a direção que a Apple prefere e mostra um claro viés para a convergência de todo o seu ecossistema para o iPadOS. Charles Tumiotto Jackson, do MacO’Clock, analisa de perto esses movimentos que visam reunir as interfaces, o que tornaria os aplicativos mais portáteis:

 

“Quase tudo o que há de novo no redesign do macOS parece uma versão do iOS para mim. Os cantos arredondados em todos os lugares, especialmente na dock, os novos ícones, o centro de controle … Quase tudo agora se parece com a interface de um iPad”  

 Uma das maiores diferenças continua sendo o controle da Apple sobre a plataforma iPad em comparação com o Mac. Mas, como estamos prestes a ver, isso está começando a mudar.

 

 Uma das primeiras etapas visíveis é remover o BootCamp e reduzir a flexibilidade do hardware dos Macs. A Apple acredita que os usuários não devem se preocupar; mas o que é bom para a Apple nem sempre é bom para desenvolvedores ou consumidores.

 

 Vimos isso recentemente com o aplicativo de e-mail Hey feito pela Basecamp e os problemas relacionados às políticas da App Store da Apple, especialmente as que giram em torno da funcionalidade do aplicativo que a Apple queria ver e do uso do Basecamp de um serviço de pagamento externo que não era o da Apple (onde a Apple coleta trinta por cento da receita).

 

 Este foi um caso que reverberou no mundo da tecnologia, mas não um caso único. A Apple estabeleceu suas próprias regras para entrada na App Store, desde a geração de receita através da funcionalidade até a aparência e o estilo dos seus aplicativos. E a App Store é a única maneira de alcançar e interagir com a base de clientes da Apple (algo que está sob investigação antitruste da Comissão da UE), o que contrasta com a plataforma Mac.

 

 Sim, existe uma App Store nos Macs, e nela os desenvolvedores podem enviar seus aplicativos para o ecossistema da Apple; mas a plataforma Mac é muito mais aberta para carregar aplicativos de outras fontes, é muito mais aberta para diferentes sistemas de pagamento e muito mais aberta para se tomar diferentes decisões do que a Apple tomaria.

 

 Assim, levando em conta que Tim Cook continua redefinindo o que significa ser um Mac, uma das influências mais notáveis é o iPad. O iPad Pro não apenas mudou para o rumo dos MacBooks, mudando a forma como enxergamos estes, com o lançamento de um Magic Keyboard e um touchpad para o tablet, mas também a interface do MacOS e iPadOS agora tem uma (cada vez mais crescente) similaridade.

 

 O sistema fechado de dispositivos móveis continua sendo algo de que a Apple se orgulha. À medida que a plataforma Mac se move para os processadores ARM, do primeiro MacBook Pro equipado com um destes processadores esperado ainda para este ano, será que a Apple aproveitará a oportunidade para seguir, com os Macs, o mesmo caminho trilhado com a plataforma de iPhone e iPad?

 

 A Apple pode nunca concluir essa jornada, mas já deu passos nesse caminho, com as últimos ocorrendo durante a WWDC da semana passada. A Apple confirmou que o BootCamp não estará disponível em máquinas Mac-ARM. Quando esses computadores chegarem, eles não suportarão o BootCamp. Este é o software que permite que sistemas operacionais alternativos sejam executados no hardware do Mac. Em vez disso, a única alternativa para se ter, por exemplo, uma versão do Ubuntu rodando no seu novo Mac-Arma será usando máquinas virtuais executadas no MacOS. Tom Warren para The Verge:

 

Mais tarde, a Apple confirmou que não está planejando dar suporte ao BootCamp em Macs baseados em ARM no podcast Daring Fireball.“Não inicializaremos diretamente um sistema operacional alternativo”, disse Craig Federighi, vice-presidente sênior de engenharia de software da Apple. “Simplesmente a virtualização é a saída. Esses hipervisors podem ser muito eficientes, portanto a necessidade de direcionar a inicialização não deve ser realmente a preocupação”.O BootCamp é uma ferramenta vital para muitos, e as garantias da Apple de que ‘não deveriam ser realmente a preocupação’ serão bem-vindas se você estiver usando explicitamente o seu Mac da maneira pretendida pela Apple. Mas isso não é algo viável ou desejável para todo mundo. A plataforma Mac — especialmente, mas não se limitando aos equipamentos da classe Pro — são máquinas de trabalho com necessidades específicas. O impulso da Apple em direção ao futuro poderia facilmente afastar esses usuários da plataforma, assim como a mudança de 32 bits para 64 bits foi suave para a maioria, mas criou um problema crítico de negócios para outras.

 

 A confirmação do macOS para ARM ainda não tem nem uma semana, mas a Apple já está removendo um recurso importante. A mudança beneficia claramente a Apple e dá à Apple mais controle sobre a plataforma.

 

 Será que este é o único movimento que a Apple fará? O clima do MacOS é de que “as coisas estão mudando” e, no caso das políticas de software da Apple sobre o aplicativo Hey, “essas regras da loja de aplicativos serão corrigidas”.Contudo, até que ponto a Apple ‘ travará ’ o MacOS ainda não sabemos.Será que a plataforma Mac permanecerá como está ou Tim Cook e sua equipe avançarão para o modelo de negócios que se mostrou bem-sucedido no iPhone e iPad?** Tradução do artigo originalmente publicado na revista Forbes.