Não é nenhuma surpresa que os grupos bolsonaristas operam uma rede de desinformação dentro das redes sociais do Facebook (Instagram, Facebook e Whatsapp) e que esse tipo de ação foi coordenada por pessoas ligadas à campanha do presidente Jair Bolsonaro. A atual CPMI das fake news mira nessas pessoas, blogueiros e influenciadores digitais alinhados à direita liberal que usaram práticas conhecidas de disseminação de informações falsas para, de alguma forma, minar a personalidade da oposição — notoriamente partidos de esquerda e pessoas combativas ao próprio, na época, Deputado Jair Bolsonaro, tais como o deputado Jean Willys e seu suplente, David Miranda.Pouco mais de duas semanas atrás, contudo, iniciou-se nos EUA uma campanha cobrando mais atitudes do Facebook — focando-se na figura do fundador, Mark Zuckerberg — em relação aos grupos disseminadores dos mais variados discursos de ódio, ataques coordenados e todo o tipo de ataque às minorias. O ponto alto dessa atitude permissiva do Facebook foi a postagem do presidente Donald Trump ameaçando atirar naqueles pessoas que protestavam contra a violência policial nos EUA depois da morte de George Floyd (BLM) e que motivou o #StopProfitForHateClaro que, como o Brasil importou as táticas usadas por Steve Bannon para eleger Bolsonaro, uma atitude das redes sociais do Zucko iria respingar na rede bolsonarista, ainda mais com a investigação que pode resultar na suspensa da chapa Bolsonaro/Mourão que está em curso no parlamento brasileiro.Hoje o Facebook, na sua porção de RP, soltou uma longa matéria citando os casos (e números) da sua primeira devassa nas contas falsas e disseminadoras de ódio. Tem grupos, páginas e contas de quase todos os países que hoje contam com governo de extrema-direita, entre eles o Brasil, e é exatamente o trecho que trata sobre o nosso país que eu destaco abaixo:>2. Também removemos, no Facebook, 35 contas, 14 Páginas e 1 Grupo e mais 38 contas no Instagram que estavam envolvidas em um comportamento inautêntico coordenado no Brasil. Esta rede se concentrava no público brasileiro.

Esta rede consistia em vários grupos de atividades conectadas que se baseavam em uma combinação de contas duplicadas e falsas — algumas das quais haviam sido detectadas e desativadas por nossos sistemas automatizados — para fugir da aplicação da lei, criar personas fictícias fazendo-se passar por repórteres, postar conteúdo e gerenciar páginas mascaradas como veículos de notícias independentes. Essas entidades postaram conteúdo sobre notícias e eventos locais, incluindo política interna e eleições, memes políticos, críticas à oposição política, organizações de mídia e jornalistas e, mais recentemente, postaram conteúdos sobre a pandemia do coronavírus. Alguns dos conteúdos postados por esta rede já haviam sido retirados por violações das Normas Comunitárias, incluindo discursos de ódio.
Encontramos esta atividade como parte de nossa investigação sobre suspeitas de comportamento inautêntico coordenado no Brasil conforme relatado pela imprensa e referenciadas em recentes depoimentos do Congresso brasileiro (CPMI das Fake News [1]). Embora as pessoas por trás desta atividade tenham tentado esconder suas identidades e coordenação, nossa investigação encontrou ligações com indivíduos associados ao Partido Social Liberal e alguns funcionários dos escritórios de Anderson Moraes, Alana Passos, Eduardo Bolsonaro, Flavio Bolsonaro e Jair Bolsonaro.
Presença no Facebook e Instagram: 35 contas no Facebook, 14 Páginas, 1 Grupo e 38 contas na Instagram
Seguidores
Cerca de 883.000 contas seguiram uma ou mais destas páginas, cerca de 350 contas juntaram-se a este grupo e cerca de 917.000 pessoas seguiam uma ou mais destas contas no Instagram Publicidade
Cerca de US$ 1.500 em gastos com anúncios no Facebook pagos em reais. Talvez não dê em nada e os grupos se reorganizem com novas táticas, talvez o Facebook esteja apenas fazendo uma gestão de crise e pegando os casos mais críticos da rede e, talvez, nada disso importe porque o Whatsapp segue sendo o principal fomentador desse tipo de desinformação. Mas, pelo menos, alguma coisa feita às claras e à luz do dia. Quem ainda defende o sistema atual, tanto do Facebook como do governo Bolsonaro, está de acordo com o discurso de ódio que eles pregam e, principalmente, com o elitismo que tudo isso carrega.Pra ler na íntegra o boletim:[embed]https://about.fb.com/news/2020/07/removing-political-coordinated-inauthentic-behavior/[/embed] Um pequeno update nas investigações do Facebook nos diz os nomes dos assessores ligados à família do presidente Jair Bolsonaro que estão ligados à rede de ataques a desafetos, oposição política e até m,esmo ex-aliados do governo. Conforme a Zero Hore (de Porto Alegre e com paywall):>Levantamento doLaboratório Forense Digital do Atlantic Councilem parceria com o Facebook aponta ligação direta de Tércio Arnaud Tomaz, assessor especial do presidente Jair Bolsonaro, com umesquema de contas falsas nas redes sociais banidas pelo Facebook nesta quarta-feira (8). Ele é apontado como responsável por parte dos ataques a opositores de Bolsonaro, como ao ex-ministroSergio Morona sua saída do governo e a integrantes de outros Poderes, e por difundir desinformação em temas como o coronavírus. Além de Tércio, cinco ex e atuais assessores de legisladores bolsonaristas, entre eles um funcionário do deputadoEduardo Bolsonaro (PSL-SP),foram identificados como conectados à operação de desinformação no Facebook e no Instagram. O levantamento teve acesso aos nomes e identidades das pessoas que registraram as contas falsas. Muitos dos posts eram realizados no horário de expediente. Segundo o relatório, eles usavam contas duplicadas e falsas para escapar de punições, criavam personagens fictícios fingindo ser repórteres, e administravam páginas simulando ser veículos de mídia. Também usavam perfis falsos que postavam em grupos não relacionados a política, como se fossem pessoas comuns criticando opositores de Bolsonaro e promovendo o presidente, de acordo com a empresa. [embed]https://about.fb.com/news/2020/07/removing-political-coordinated-inauthentic-behavior/[/embed] Talvez isso signifique que que se fecha o cerco.