Tem quem diga que um homem muda de tudo na vida, menos de time de futebol. Verdade ou não, eu conheci alguns anos atrás um homem que quase mudou tudo o que tinha na vida por causa de uma mulher, inclusive de time.Contarei a história — breve e conturbada — de Lúcia e Sampaio.Sampaio era o nosso goleiro, no famoso citadino de Gravataí. Um goleiro como poucos. Baixinho e gordo, parecia que nunca chegaria nas faltas mais próximas do ângulo, mas, contrariando qualquer lei da física sobre massa e gravidade, ele sempre chegava com a agilidade de um gato, e acabava nos safando de goleadas homéricas, já que o nosso querido escrete poderia ser resumido em uma frase: “Muito mais vontade do que talento”.Sampaio sempre fora um apaixonado, pela vida e pelas mulheres. Sempre foi do time dos fiéis, nunca saia do prumo quando encontrava a patroa da vez — mesmo que a patroa da vez mudasse a cada 5 meses, no máximo — mas era fiel. Assim como era fiel ao Inter, colorado de família, de longa tradição na coréia do Beira-Rio e das arquibancadas de cimento que foram feitas com o suor do trabalho e das doações de milhares colorados, inclusive, na casa do pai dele era ostentado sempre um quadro, batido e velho, mas com o valor inestimável que só algo histórico têm: Aqueles famosos certificados que a direção do Inter deu à quem doasse qualquer material de construção para a construção do estádio novo.Aquele quadro, segundo o pai do Sampaio estava ali para lembrar a todos do grande colorado que havia sido o avô dele.A vida, essa meretriz traiçoeira que dá voltas todos os dias, uma vez trouxe até o Sampaio uma garota exuberante e linda, que lembrava os sonhos mais eróticos de todos nós do time. Ela caminhava languidamente sempre em direção ao Sampaio como se fosse dar à ele a melhor noite da vida dele. E sempre foi assim. Durante anos Sampaio fora apaixonado por ela como poucos homens se apaixonam na vida, tudo o que Sampaio fazia, de forma ou outra, culminava nela, Lúcia. Cabelos negros, lisos até o meio das costas, 49 kg distribuídos por 1,60 m de luxúria e sonhos. Ela tinha a voz rouca de veludo que as divas tem, caminhava como se o mundo fosse a sua passarela e matava do coração o nosso pobre goleiro.Depois demais de 4 anos sem nada rolar entre eles, finalmente, uma bela tarde — depois de alguns anos sem o Sampaio sequer olhar na cara de Lúcia — ele volta à sua rotina de trabalhos por ela. Começou com uma conversa tranquila num banco qualquer, ele pedindo desculpas por tudo, ela aceitando passivamente as desculpas. Ele, tomando coragem e se declarando por ela e ouvindo, o que todo o homem quer ouvir, que ela também o amava.Um pequeno interposto entre esse amor belo e fugaz sempre foi o fato de o namorado dela estar entre eles, mas, segundo o próprio Sampaio, isso era um detalhe que ela ia resolver segunda-feira. Mesmo que tenham se passado muitas segundas-feiras, e nunca tenho havido resolução deste detalhes, Sampaio ainda se via como o amado de Lúcia. Nós, os amigos, sabedores da fama pregressa da dita Lúcia, sempre fomos reticentes quanto ao envolvimento do nosso arqueiro com a morena. Mas, sabe como é o amor, tem dessas coisas, nenhum amigo dará ouvidos aos outros quando um par de pernas alvas e lisas se interpõem entre eles.Sampaio continuava sendo nosso inexpugnável goleiro, e continuava sendo o mais colorado dos colorados de Gravataí. E nós, continuávamos preocupados com o “relacionamento” que tomava corpo ali na nossa frente. Um relacionamento só iria destruir nosso amigo goleiro, tal qual Tite destrói tudo o que toca e acaba com qualquer time que treina. Mas, nada disso importa, os voluptuosos seios de Lúcia continuavam a encontrar o peito febril do nosso amigo, cada dia mais encoleirado pela moça. Nada que fosse dito poderia apagar a fama da paixão que queimava no corpo de nosso amigo. Era como tentar apagar algumas chamas com gasolina, cada respingo da nossa infrutífera tentativa de pôr um pouco de racionalidade na cabeça de Sampaio era motivo para uma chama a mais que brotava na paixão dos dois — ou seria dos três ?À essa altura, meses depois do primeiro beijo, os dois já estavam saindo juntos toda a semana, correndo por festas e bebendo quando o namorado da Lúcia ficava preso em alguma problema do trabalho, ela logicamente, sempre acalmava o ânimo de Sampaio com o famoso bordão “Eu te amo, mas tenho medo do que ele pode fazer contigo se eu acabar o meu namoro”. E isso deixava Sampaio, o nosso outrora goleiro ágil, mole como uma mariola vencida.Junto com as festas e os novos amigos, Sampaio foi ficando cada vez mais sem tempo para o esporte bretão contumaz de domingo à tarde, como se fosse o último dos Ricardões, Sampaio se mantinha fiel à pseudonamorada que arranjara, vivera, afinal, o sonho dourado de anos. Lúcia por sua vez modificava tudo em nosso amigo. Desde as roupas até o gosto musical, Sampaio que sempre fora um sujeito MPB, agora, era visto ouvindo ACDC a todo o volume em casa. Pobre Sampaio, nem tempo para acompanhar mais o seu Inter tinha. Lúcia, gremista que era, sempre pedia para que ele a levasse no Olímpico aos domingos, Sampaio, renegou sempre. Culpa talvez da arrumação da casa da mãe, que pusera o telefone logo abaixo do quadro, onde sempre que Sampaio era indagado sobre a sua visita ao Olímpico, via o rosto de seu avô retratado no quadro, aquilo doía duplamente, por seu avô vê-lo cogitando o coirmão, e pela sua amada inferindo nele a responsabilidade de ir à casa do rival. Com um não empertigado e sofrido, sempre acabava a conversa sobre futebol com ela.Mas bem da verdade, ele não aguentava mais isso. Foi quando ele começou a pensar em parar completamente de jogar conosco as peladas de final de semana, que serviam como preparatórias para o grande confronto em Julho, a semifinal do citadino. Com muita conversa e chantagem de amigos ele aceitou ser o nosso goleiro, mas avisou que teríamos que ter um goleiro reserva sempre disposto a jogar, porque a presença dele não era certa em todos os jogos. Inscritos, Sampaio com a número 1, e um pouco de felicidade por esse vitória pessoal corria pelas nossas faces. Até a reviravolta.Um certo dia, numa briga de casal pequena, Lúcia intimou Sampaio: “Como eu posso te amar se nem no jogo a gente pode ir junto ? Tu teria que mudar de time, fazer algo realmente grande para me agradar e me mostrar que tu está disposto à lutar por mim!”. Mudar de time ? Essa mulher TEM QUE ESTAR LOUCA. Pensou Sampaio e todo mundo que ele contou do fato acontecido.

 

 Todos esperavam de Sampaio não menos que um passa-fora na Lúcia e uma redentora semifinal contra o time do centro da cidade. Porém, Sampaio titubeou. Sampaio, colorado de carteirinha, tatuagem e tradição, agora flertava com as cores do tricolor gaúcho. Passava na frente do Olímpico como se estivesse tomando coragem para se afeiçoar ao novo clube. Sempre que tentava pisar no Olímpico pensava no seu avô, no seu pai e na sua família, nas velhas luvas de goleiro que ele tinha herdado do ex-guarda redes do Flamengo de Caxias, na velha e surrada camisa Nº 1 que ornamentava o seu avô durante anos, e agora, estufava o seu peito.

 

 Não, não podia crer quem uma alma feminina fosse tão nefasta a ponto de pedir que um homem desista do seu clube — que todos sabem não fora por ele escolhido, mas sim, pelo mundo dado à ele, como um fardo que nos traz alegrias e tristeza, que nos remete ao mundo das glórias, e depois de 3 minutos, nos põe de volta à vida mundana de decepções.Não. Lúcia iria entender que ele poderia fazer qualquer coisa neste mundo, mas nunca poderia mudar de clube. E ele foi, decidido a negociar com aquele ser feminino, fugaz e ilógico, outro tipo de sacrifício. E ela aceitou, como aceitam negociar os ditadores mais sanguinários, uma nova remessa de sandices futebolísticas. O agora ex-namorado de Lúcia era meio-campista do

 time do centro da cidade — que nem vale a pena ter o seu nome mencionado — e iria jogar contra a nossa equipe em frangalhos no domingo. Valendo uma vaga na final. A mente feminina realmente é notória quando se trata de maquinar pensamentos lúgubres de forma a atentar contra os anseios mais honrados de nós, pobres homens. Lúcia pensou na pior declaração que poderia ser feita pelo nosso, agora pálido, Sampaio. Perder o jogo. Entregar. Entregar o jogo para o seu ex, e, eterno rival de Sampaio. Dar de bandeja a vaga na final para o ensebado time do centro.Quando Sampaio nos contou, fomos unânimes em dizer-lhe que ela estava louca e ele cego de burrice e paixão (como se tivesse de fato, alguma diferença entre ambos). Mas, de forma irredutível — e confesso, numa grande disputa de poder — mantivemos Sampaio no jogo, de forma que, retiramos do time o goleiro reserva, sendo assim, ele era o nosso único goleiro e teria de decidir entre a honra com os amigos e a vaga na final, ou, o nefasto amor da mais bela das morenas de Gravataí.

 

 Uma semana inteira se passou sem que Sampaio nos visse ou falasse conosco, mas também, sem nenhum tipo de cancelamento por parte dele. Sempre que nos encontrávamos nas beiradas da esquina do bar do Alfredo, ele apenas acenava com a cabeça e seguia calado o seu rumo, rumo que levava-o à casa de Lúcia. Bebíamos em homenagem à ele todo o dia, esperando que mais cedo ou mais tarde ele aportasse no bar, chegasse à nossa mesa e declarasse a sua desistência. Mas a verdade é que o nosso goleiro estava pensativo. Primeiro foi a história de mudar de clube, agora, essa traição aos amigos, e depois ? O que pediria Lúcia depois ? Quem sabe o que aquela mente feminina inescrupulosa poderia pedir à ele após a entregada do jogo. Nem ele sabia. E o pior, não conseguia conceber como poderia sair dessa encruzilhada sem perder a amizade tão duradoura do pior time de Gravataí, ou, o amor mais belo que ele

 nutria pela Lúcia.Chegou o grande dia, todos estávamos no vestiário imundo do campo do Barnabé, nos trocando e esperando a hora de anunciar que não poderíamos jogar com 10 jogadores apenas, ainda mais, sem goleiro. Eis que, 10 minutos antes de começar o certame, aponta na porta apodrecida do vestiário, Sampaio. Com a sua mochila nas costas, olhar para o chão, sem dizer uma única palavra ele se senta e começa a trocar de roupa. Nós, atônitos, pensamos que a sua tristeza se devesse à briga com Lúcia, afinal, se ele veio jogar iria REALMENTE jogar, sem entregar aos ensebados o jogo. Entramos em campo, avistamos ao fundo Lúcia, minissaia provocante, cabelos presos e mandando alguns beijinhos para Sampaio. Do outro lado, o ex.O chão tremia, pulsava como se fosse um ser vivo. A cancha era um coração batendo aceleradamente esperando pelo embate épico dos dois times. Os mais céticos irão dizer que não, que a pulsação do campo era por causa da tubulação de esgoto velha que passava por ali debaixo, mas nós sabíamos que havia em jogo ali, muito mais do que uma vaga na final, havia a honra, o amor e a amizade. E só um dos dois iria sair de lá intacto. O jogo começou, nervoso como sempre, Sampaio olhava em todos os cantos, esperando que uma lesão acalentadora o livrasse do peso de decidir entre o futebol ou o amor de

 sua vida. Nós, lutávamos contra a natureza e empatávamos friamente o jogo. Pontapés, chutes que saem pela lateral sem encontrar um único pé salvador, buracos sendo preenchidos com areia de construção. Havia de tudo o que uma boa várzea necessita para um jogo. Mas também havia Lúcia. Que por muitas vezes se colocou na tela que separava a limosa arquibancada de madeira do precário campo, onde se tinha mais terra batida do que grama. Pés corriam sem encontrar nenhum tipo de grama por horas a fio. As mãos e luvas de Sampaio estavam pesando 3 vezes mais, culpa da terra e da água que

 se abateu quando começou a chuva de verão, que só serviu para enlamear o campo completamente. Marrons de barro fomos para o vestiário naquele primeiro tempo de um 0×0 com muita raça, muita pegada e pouca técnica.

 No intervalo, Lúcia veio falar com Sampaio, era vísivel o quanto ele estava morrendo a cada minuto. Uma conversa rápida, poucas palavras e um Sampaio devastado, Foi isso o que soubemos na hora. Ele voltou, enxugou a camiseta e disse: “Vamos para a final”.E fomos, primeiro pro segundo tempo. Sampaio era outro homem, estava berrando com toda a zaga, correndo por toda a área como se fosse um leão. Queria ganhar. Achamos que Lúcia tinha acabado com ele por ele ter segurado um 0×0 — que no fundo havia se segurado por si só — e que ele agora queria mostrar ao mundo que ainda tinha sangue e honra. Mas não o suficiente, por mais que fossemos esforçados, o gol era algo muito distante de nós. E o 0×0 persistia até o final os 43 do 2º tempo. Quando já estávamos esperando os pênaltis, quando todo mundo esperava o dramático desfecho da partida, Ângelo, um boçal que era irmão da namorada de um dos jogadores, cometeu um pênalti. Um pênalti contra nós. Pôs a vaga na final no colo do outro time como se quisesse provar ao mundo que o Sampaio tinha voltado, dando à ele a chance de mostrar como um goleiro de verdade decide um jogo. Reclamações, uma semi-briga, Sampaio olhou quatro vezes para as pernas de Lúcia na arquibancada em meio às goteiras da precária cobertura que ali havia — cobertura modo de falar, eram 4 telhas de zinco largadas a sorte — e rangia os dentes como se quisesse arrancá-los um a um. A bola, tão maltratada, é posta no buraco branco que demarcava o pênalti, Sampaio de braços abertos, no centro do gol. Nós paramos e olhamos, pegar um pênalti é quase impossível, pegar um pênalti contra a vontade de sua namorada, é homérico. Mas, Sampaio pegou. Pulou cegamente, adivinhou o canto e encaixou no seu tórax a pelota. Manteve o 0×0 e nos colocou, por ironia do destino, nos pênaltis. Lúcia deu apenas um suspiro. Sampaio derramou uma lágrima. Sabia que a tinha perdido. Não fomos para o vestiário, ficamos ali no campo esperando o juiz conseguir outro apito ao mesmo tempo que víamos Lúcia descer em firmes passos até a chuva que voltava a cair, chamar Sampaio aos berros e lhe apontar o dedo em riste. Sampaio apenas olhava-a. Como se admirasse alguém que nunca mais vai ver. Ela vociferava baixo. Tentamos arrancar de Sampaio o que ela disse antes, no vestiário, e agora. Ele apenas murmurou “vou perdê-la para ele” apontando para o algoz que sempre estivera com um sorriso no rosto. Não entenderíamos de imediato o que ele queria dizer com isso, mas depois, faria todo o sentido e nos tornaria mais amigos ainda.Fomos as cobranças, que se alternavam sem que nenhum goleiro chegasse perto de defender. Aos poucos a tensão crescia. Lúcia ainda olhava, a cada cobrança bem sucedida para Sampaio como se desse à ele uma esperança em que se agarrar, Sampaio não nos olhava. Saía do gol de cabeça baixa e olhava para o infinito, sem lugar determinado, apenas olhava. Parecia que estava em transe. Sampaio se posicionava de maneira central sempre, mas nunca chegava na bola a tempo. Na quinta cobrança, o ex pegou a bola. Estávamos em vantagem. Se Sampaio pegasse justamente esse cobrança, estaríamos na final.Novamente, o campo pulsava. Calados os espectadores olhavam para aquele gol, manchado de barro e com o sangue de muitos outros goleiro entranhado nele. A bola posicionada no seu habitual furo, e Sampaio, como sempre, de braços abertos. Será que justamente aquele pênalti iria trazer a nós a tão sonhada vaga, ou, seria aquele o pênalti da redenção d Sampaio com a sua amada ? Foram 3 segundos que passaram como se fossem 3 anos. Entre a bola se colocada no buraco, o pé enlameado encontrar-se com ela e Sampaio pular, o mundo parou de girar. Sampaio pulou, como nunca tinha pulado, caiu no chão, a bola resvalou em seus dedos e encontrou a trave, e, caprichosamente, beijou-a e correu para a linha de fundo. Sampaio, ajoelhado esmurrou o chão e deu grito. Nós pulamos em cima dele. O campo se transformou numa catarse coletiva para nós, jogadores da várzea aquela era a nossa copa do mundo, e Sampaio, o nosso Taffarel. Fomos à final. Ganhamos o jogo, e Sampaio, perdeu Lúcia. Pegou dois pênaltis inacreditáveis no mesmo jogo e nos alçou a final.Não vimos ela saindo, vimos apenas o ex caminhando com um sorriso no rosto, e dando desculpas.No bar do Alfredo, 2 horas depois, Sampaio nos contou a conversa do vestiário. Lúcia queria-o, mas, ele deveria querer Lúcia. Lúcia escolheu, se Sampaio não entregasse o jogo, voltaria aos braços do ex que a cortejava desde o término do namoro dos dois. Sampaio, ficaria sem ela. Ele pensou durante 43 minutos. Quando ele viu o atacante se posicionando no primeiro pênalti, quis ganhar. Quis ganhar desde o vestiário quando infamou à todos para irmos à final. Quis ganhar o jogo e perder a namorada.Bebemos em homenagem ao melhor goleiro que o Barnabé já viu. Bebemos em homenagem às milhares de músicas de fossa que ouvimos naquela noite, e bebemos em homenagem à elas, as mulheres que desgraçam a nossa, e, ao mesmo tempo, a torna tão boa.Uma semana depois, na final, perdemos pela que, talvez, seja a maior goleada da história do citadino. Perdemos de maneira acachapante e serena. Lutamos até o fim, todo juntos, sem preocupações. Perdemos o jogo mas ganhamos a honra. Neste nosso último citadino, descobrimos que éramos mais amigos do futebol do que de nós mesmos, que tínhamos mais amor ao futebol do que às mulheres.Descobrimos que um homem pode sim escolher entre o que mais ama, ele só precisa saber o que ele mais ama.Ao contrário do que se prega, Lúcia continuou bela. Casou-se e teve 2 filhos, e mesmo hoje, quarentona que é, continua arrancando suspiros juvenis de todos os lados. Suas pernas ainda valem milhões e seu balanço ainda faz o mundo parar. Sampaio mudou-se de estado 3 dias depois da final, e nunca se casou, mas dizem, continuou apaixonado pela vida, pelo futebol e pela alma feminina. Nunca mais se envolveu em nada parecido, e nunca mais amou. Até hoje, dizem, guarda a última foto dele ao lado de Lúcia.Engana-se quem pensa que, naquela tarde chuvosa de domingo, Sampaio escolheu a amizade conosco ao invés do amor de Lúcia, não, pelo contrário, não escolheu nenhum dos dois. Ele escolheu o amor ao futebol, esse esporte que é mais do que esporte, é paixão. É esposa e amante ao mesmo tempo.Nos monta e desmonta em minutos. Que nos faz matar e morrer pelo mesmo motivo. O futebol é como uma mulher, traiçoeiro, belo e apaixonante.E que o Sampaio sempre se lembre disso.