Fui um dos muitos que ficaram excitados ao extremo quando o novo capítulo de Diablo viu a luz do dia. E também fui um dos muitos que ficou frustrado com o resultado apresentado pela Blizzard. Não que o jogo não valha a pena, vale muito — tenho algumas centenas de horas jogadas ao longo desse pouco mais de um ano de lançamento — mas a verdade é que houve uma mudança muito brusca no ambiente de D3 em relação aos dois primeiros. Primeiro, as cores foram estouradas ao máximo, provavelmente uma tentativa de se aproximar das cores cartunizadas de WoW, e os ambientes ficaram claros. Muito claros. E isso é algo execrável no mundo que foi criado para Diablo. Em Tristram as coisas são cinza, quando não pretas, afinal se trata de um mundo dominado por males supremos, onde esqueletos passeiam pelas catedrais e zumbis apodrecem em todos os cantos, infestando cidades e plantações. Nesse mundo, não existe espaço para nada colorido, nada claro e muito menos alegre.Depois desse lançamento, aguardado como tudo que vem da Blizzard, e da posterior decepção com o jogo, abriu-se uma lacuna gigantesca no coração de todo mundo que queria entrar calabouço mais escuro que o coração da sua ex. E pra preencher essa lacuna não faltaram candidatos. Torchlight foi apontado por muitos como o sucessor espiritual de Diablo, mas, confesso que o visual cartunizado e colorido não me pegou — e não me fez entender porque ele foi apontado como sucessor. Jogos mais antigos ganharam notoriedade com a geração mais nova, como Icewind Dale e Baldur’s Gate, mas nenhuma tinha a jogabilidade hack ’n’ slash rápida e nervosa que vimos em Diablo.E o mundo só resolveu esse dilema com o lançamento de Path of Exile . Escuro. Sujo. Rápido e difícil, muito difícil. PoE é hack ’n’ slash que lembra muito D2 na essência da sua jogabilidade e dos seus gráficos. A variabilidade de ambientes é bem grande e rica, mas consegue manter a aura escura que todos queriam. Calabouços são pouco iluminados e trazem um efeito interessante: na medida em que a sua vida vai diminuindo, a sua visão também diminui, o halo de luz que o seu personagem emite e que lhe permite ver a fase fica muito pequeno a ponto de, na iminência da morte, você conseguir determinar muito pouca coisa na sua volta, isso auxilia muito na hora de criar a atmosfera carregada da luta entre o bem e o mal e também aumenta a tensão do jogador.As arte abaixo foram feitas pelo artista brasileiro Thiago Lehmann e você pode achar essas e muitas outras no perfil dele no Instagram: @thiago.lehmannMas, o que salta aos olhos mesmo é a árvore de habilidades virtualmente infinita, o que pode ajudar ou atrapalhar, dependendo da sua indecisão na hora de seguir um determinado caminho para o seu personagem. Mas, de modo geral, preenche um dos pontos mais criticados da série Diablo (que nunca foi um primor do ponto de vista da criação de personagens e alinhamento de classes) permitindo ao jogador uma quantidade de combinações nas suas habilidades que beira o infinito.Cada classe conta com um local dentro dessa árvore, e isso determina o tamanho do caminho que devemos seguir para chegar em determinada habilidade. Por exemplo, um Marauder (bárbaro) está muito mais próximo das habilidades de força e combate corpo-a-corpo, ou seja, a sua estratégia precisa ser bem definida já na escolha do personagem.A curva de aprendizado de PoE é bem tênue. Você vai desenvolvendo as suas habilidades e melhorando o seu personagem de acordo com o nível em que se encontra (se você não fizer nenhum tipo de grinding) e os monstros seguem essa curva também. Não é raro, porém, entrar em calabouço com monstros de nível 12 estando ainda no nível 10, por exemplo. Mas não é nada que chegue a atrapalhar a jogabilidade de quem já se embrenhou pelos calabouços de outros clássicos do gênero.Em termos de jogabilidade não se tem nada muito novo. Muita exploração, muito loot e muito item dropado (raramente algum inimigo não dropa nada), de maneira muito semelhante aos outros jogos, com a exceção ficando a cargo apenas o seu sistema de gemas — de ataque, defesa e apoio — que difere um pouco do apresentado usualmente, ganhando ares mais estratégicos e que dependem muito mais do seu personagem e da arma usada para funcionarem.A HUD do jogo é muito parecida com a da série Diablo — e de todos os outros — e não apresenta nada novo: um globo de energia, um globo de mana, um cinto de poções e uma árvore de magias — que variam de acordo com as gemas utilizadas — deixando a novidade apenas para o escudo de energia, que lhe protege por alguns golpes apenas (mais ou menos, depende do tamanho do seu escudo).PoE é free-to-play e está disponível na Steam e no site do jogo () e é recomendado para quem pretende perder horas de vida entrando em calabouços e zerando quests.