Desde sempre as softhouses sofrem com o fantasma de se sentirem desatualizadas. Seja por uma nova tecnologia seja por um novo paradigma de jogabilidade ou se cobrança. Antigamente o jogos era entregue nos consoles de computadores de maneira completa e, vez ou outra, surgia uma expansão que deixava a história mais amarrada e melhor ambientada, era coisa pouca, como o Hellfire de Diablo ou as famosas expansões de Quake e Quake II.Não era uma continuação per se, era apenas uma expansão do universo daquele game. Mas logo começamos a entrar na era dos DLC, das expansões esperadas com ansiedade, até culminar com Starcraft II, lançado canalhamente em três partes pela Blizzard. Esse novo modo de contar a história e de distribuir o seu jogo acabou se tornando o padrão da indústria e hoje um game novo é feito com o pensamento ficado nas expansões que ele vai ter e em como a empresa vai manter o jogador focado no jogo, seja com um esquema de multiplayer bom, seja com a história incompleta que só se finaliza com os DLCs lançados com o preço de uma jogo completo. Que o diga a Blizzard, novamente, com Reaper of Souls.E assim, se copiando e se melhorando, a indústria vai se movimentando na direção de um ou outro conceito novo de vendas e interação. Kinect e PS Move são as respostas da Microsoft e Sony ao sistema de jogo casual da Nintendo. Battlefield e Call of Duty só existem em contraste um com o outro. Sem um o outro seria apenas mais um. FIFA e PES lutam, se alternando na liderança, todo o ano. E assim por diante. O que salta aos olhos nessas disputas sempre é a qualidade dos jogos e a inovação, ainda que o conceito de todos os concorrentes seja muito próximo do anterior, sempre temos um salto de qualidade de um para o outro, seja em gráficos ou jogabilidade. Nunca temos, enfim, o mesmo jogo sendo lançado por diferentes softhouses. Até agora.Com o bom advento das jogos indie — muito disso méritos da facilidade de se desenvolver aplicativos para iOS — temos cada vez mais cópias de aplicativos famoso e consagrados. E os games sofrem com isso muito mais do que qualquer outro tipo de aplicação. O recente sucesso do game Flappy Bird — com uma premissa simples e absurdamente viciante — fez isso saltar aos olhos de todos, inclusive aqueles que não tinham olhos para o mercado de games, afinal, era quase impossível achar o verdadeiro game no mar de cópias descaradas e mal feitas do pássaro famoso. O mesmo ocorre com o sucesso recente 2048, onde uma busca rápida nas três lojas de aplicações nos mostra como temos dificuldade de saber qual é o primeiro — e original, digamos assim — e quais são as suas cópias caça-níquéis.Isso sempre ocorreu, que fique claro, em toda a indústria. Seja ela de filmes, música ou games. O problema é que antigamente para se criar um game tínhamos que saber muito bem programação — no caso de um jogo de Atari — ou ter muito dinheiro para comprar o kit de desenvolvimento — PS, Nintendo e XBOX — e sair copiando Street Fighter por aí. Não que isso impedisse, pelo contrário, mas tínhamos, pelo menos, clássicos B como Pit Fighter. Hoje perdemos tudo isso, vitimados pelo novo sistema que deveria — e de certa forma é — ser a revolução dos games, onde qualquer um com um computador e uma conta na App Store pode criar um novo game, revolucionar a indústria e ganhar milhões sendo usado para gerar infinitas cópias de games que fizeram sucesso pelos próprios esforços.Sofremos, afinal, o risco de sermos conhecidos apenas pelo nossa capacidade de criar cópias de quem se aventurou por locais que os outros tinham medo. O que é bem triste.