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  • Memória —Baseado na graphic novel de Scott Mitchell Rosenbergm, Cowboys & Aliens dirigido por Jon Favreau é um filme com seus altos e baixos.Começando pela própria elaboração desta adaptação para o cinema, conturbada demais e que se arrastou por mais de uma década quando, em 1997, a Universal Pictures conseguiu comprar os direitos para uma futura adaptação, batendo a Disney e a Fox nesse disputa. Anos mais tarde, em 2004, depois da recusa de Steve Oderek em dirigir o novo filme (o que convenhamos foi uma benção não ter o diretor de Professor Aloprado II no comando do filme) os direito foram adquiridos então pela Columbia Pictures que tinha a pretensão de realizar a adaptação finalmente, mas que nunca levou o projeto a desenvolvimento. No ano de 2006 Scott Mitchell Rosenberg publicou a série novamente, dessa vez no formato de graphic novel que estamos acostumados e isso acabou sendo o novo estopim para que a Universal e a Dreamworks voltassem seus olhos para a suposta/futura adaptação. Então em 2008, por indicação de Robert Downey Jr, Jon Favreau tomou conhecimento da história e do projeto e no final de 2009 se juntou como diretor aos outros envolvidos, porém para contribuir com a já conturbada história da série, em 2010 Robert Downey Jr (até então o ator escalado para ser Jake Lonergan) deixou o projeto por estar envolvido com as filmagens do novo Sherlock Holmes, fato esse que no pôs a mercê da atuação de Daniel Craig como “mocinho” do faroeste steampunk de Rosenberg, e então, finalmente depois de mais de 10 anos, com a contratação de Harrison Ford e com o fim das filmagens no Novo México estréia o filme Cowboys & Aliens no mundo.O filme em si é bom se você não esperar muito dele, é um blockbuster (ou deveria ser) com jeito de faroeste setentista, com muito conflitos internos dos personagens, índios apaches e muitas cenas de tiroteio — uma das cenas de abertura do filme já nos coloca direto dentro da ação — que tentam se sustentar apesar de um roteiro fraco e mal escrito. As atuações de Craig e Ford são muito aquém do esperado. Craig parece um James Bond que veste uma bracelete alien e Ford parece que não estava com vontade de atuar ou mesmo de estar ali. Apesar das tentativas da direção em manter o foco na história e tirar o máximo dos atores é impossível não enxergar duas coisas, primeiro que o papel principal foi criado pensando-se em Downey Jr, claramente, onde um personagem carismático (e procurado por diversos crimes) e que que chega novo numa cidade do interior no ano de 1873 e que deveria levar o espectador para junto dele, carregá-lo pela mão e conduzir pela aventura proposta pelo universo que á, até certo ponto, surreal. Craig não consegue fazer isso, o conceito todo do personagem esbarra numa atuação travada e ruim de Craig, onde é impossível perceber que ele parece fazer um James Bond Cowboy (e não funciona e muito menos combina com o filme e com a história). E a segunda coisa que é impossível de não se notar é a semelhança do Coronel Woodrow Dolarhyde (Ford) com Indiana Jones, ainda mais quando o vemos com um velho e surrado chapéu dando tiros em seres bizarros.Um ponto positivo a se destacar é a ambientação steampunk muito bem resolvida do filme, mesclando objetos tecnologicamente avançados com o visual e a estética do século XIX típica dois faroestes americanos. Ponto esse, aliás, salientado pelo próprio diretor que não negou a s suas influências e as suras raízes, fazendo diversas homenagens aos velhos filmes de bang-bang (que ainda passam na TV) em cenas como a perseguição a cavalo entre uma nave alien e Jake Lonergan, e mais alguns pontos que reforçam a ideia do filme (inclusive Favreau não quis converter o filme para 3D e seguir a nova moda da indústria cinematográfica afirmando que filme de faroeste devem ser filmado em filme e não digitalmente (como a técnica 3D exige) dizendo que “Seria como filmar em branco e preto e então colorizar”.Mas, em linhas gerais o filme é bom no que se propõe: entretenimento.Não tem a profundidade de um filme como “A Árvore da Vida” e não nos traz nenhum dilema moral profundo, todos os personagens são rasos e sem maiores inquietações, levam apenas as suas vidas da melhor maneira que acham que conseguem e, vez ou outra, somos apresentados a algo mais emocional ou racional (como nas cenas da morte do índio, “filho adotivo” do Coronel ou quando vemos, pela segunda vez, Jake Lonergan perdendo a mulher que ama — desta vez Olivia Wilde em uma atuação apagada, com pouco destaque, porém boa — e mais algumas cenas isoladas ao longo do filme que carregam alguma carga dramática maior, mas fora disso é um filme previsível (como tinha de ser) e que não se apoia em nada novo, não reinventa nada e não tem sequer a pretensão de assim o ser.Cowboy & Aliens é isso, um filme para se esvaziar um balde de pipocas enquanto deleita-se com tiroteios, aliens e explosões.