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  • George Romero
  • Memória
  • Noite Dos Mortos Vivos —Antes de The Walking Dead, havia George Romero.O início de toda a onda de zumbis que hoje assola o mundo começou aqui, em 1968 com George Romero, o pai dos zumbis. Com uma premissa muito simples no seu roteiro — sete jovens que se refugiam numa casa de campo isolada são cercados por uma legião de mortos vivos que tem como intuito devorá-los, zumbis estes que foram “ativados” devido a explosão, pela NASA, de um satélite que vinha do planeta Vênus com uma carregada carga de radiação, que, por algum motivo, serviu para transformar os nosso mortos em mortos-vivos canibais.No seu lançamento o filme foi fortemente criticado por todos pelo seu conteúdo explicito e pelo seu apelo gore, porém, 31 anos depois a biblioteca do senado americano registrou o filme como “historicamente, culturalmente e esteticamente importante”. Uma vitória para um gênero quase sempre renegado e para uma película com um orçamento de 114 mil dólares.Não estaremos errados em considerar A Noite Dos Mortos Vivos como uma produção de baixo orçamento. Roteirizada por George Romero e John Russo, com uma história que pode beirar o ridículo por vezes, mas que se redime completamente diante a ousadia que vemos no filme, principalmente no seu desfecho trágico, algo nada usual para a época, nos dando a impressão que o diretor, mais do que um filme de zumbis (curiosidade: o termo “zumbi” nunca é pronunciado no filme de Romero) temos uma crítica para a própria sociedade, que se canibaliza todo o dia, tal qual os mortos-vivos que não fazem nada além de caminhar, matar e comer carne humana em profusão.Hoje o filme tem quase quatro décadas de história mas ainda mantém o caráter perturbador e chocante de seu final, levando o espectador a se questionar sobre o caminho da raça humana e de toda a sociedade — ou simplesmente gritar e bater palmas para os zumbis.Pode-se dizer, sem cometer nenhum tipo de exagero, que este filme remodelou completamente o nicho de filmes de zumbi — que já existiam em alguns pouco exemplares como “Zumbi Branco” de 1932 com Bela Lugosi e “Epidemia de Zumbis” de 1966 com Andre Morell — porém, todos estes filmes anteriores nos traziam zumbis como fruto de magia-negra e servindo como escravos, algo bem distante das criaturas assassinas de Romero.E este foi apenas o início de toda uma onda de zumbis que invadiu o cinema americano, este primeiro filme de 1968 deu origem a mais cinco filmes: “Despertar Dos Mortos” de 1978, “O Dia Dos Mortos” de 1985, “Terra Dos Mortos” de 2005, “Diário Dos Mortos” de 2005 e “Surivival Of The Dead” de 2009. Todos dirigidos por George Romero em pessoa, que manteve a pegada social em todos os seus filmes, alternando críticas ao consumismo desenfreado, à truculência militar que nos traz consequências desastrosas e as diferenças entre as classes sociais que se evidenciam mais ainda nos momentos de crise e caos.Também tivemos uma desnecessária colorização/remasterização do filme original numa atitude meramente comercial, sem se preocupar com o filme em si e um ótimo remake — talvez muito mais conhecido do que o próprio original — dirigido por Tom Savini em 1990.