Tido por muitos como o filme mais aterrorizante que já foi feito, Poltergeist do diretor Tobe Hopper, é um clássico imortal em todos os sentidos, desde a sua realização como filme até a elaboração de suas duas sequencias, igualmente boas, que ao contrário de outros filmes do gênero, acabam juntando a franquia uma série de explicações paras os fenômenos que cercavam a família Freeling.A escolha acertada da jovem atriz Heather O’Rourke — que morreu tragicamente após a conclusão da série em 1988 aos 12 anos — com sua face angelical e seus longos cabelos loiros que nos remete exatamente ao que a personagem necessita: pureza. Nesse contexto a regrada família Freeling vive o sonho americano, casa grande, família constituída, bom emprego para o pai e uma estruturada família com um belo carro americano grande e beberrão na garagem.Se em “Horror em Amityville” temos o tema “casa mal-assombrada” explorado de maneira terrível, aqui temos o verdadeiro oposto. A temática da casa como objeto de possessão é trabalhada de maneira muito uniforme e nos conduz ao mesmo estado de medo e histeria que toma conta, aos poucos, da família Freeling. Tudo começa calmamente, com objetos de metal que se retorcem sem razão aparente e cadeiras que aparecem desarrumadas na sala de jantar, porém, aos poucos, estes pequenos fatos isolados que aparentam não ter nenhuma importância dão lugar ao ápice da película, quando Carol Anne é “sequestrada” para outra dimensão sem deixar nenhum tipo de vestígio na casa e onde a única forma de contato possível com a menina é pela TV dessintonizada no quarto.A partir deste ponto começamos a nos transportar para a pele da mãe da menina, vivida de maneira fantástica pela atriz Jobeth Williams, que se sente impotente e sem reação quando vê que sua fillha mais nova sumiu, para um lugar desconhecido e não existe nenhum tipo de esperança de que ela volte ao convívio da família. Recorrendo a paranormal Tangina — personagem de fundamental importância no desenrolar final da trama — a família começa a compreender o que se passa com a pequena Carol Anne e porque os espíritos necessitam dela junto deles.Um terror clássico com atmosfera única, pesada e densa que nos deixa angustiados com a própria incapacidade dos protagonistas de lidarem com o problema de ter a sua filha presa em uma dimensão paralela lado-a-lado com fantasmas não muito amistosos. Tudo o que os modernos filmes de fantasmas são incapazes de fazer.Baseado no conto “Lost Girl” da série clássica dos anos 60, “Twilight Zone”, com roteiro e produção capitaneados por Steven Spielbergh — que tinha grande parte do controle sobre os aspectos técnicos do filme, apesar da direção ter sido entregue a Tobe Hopper — e com efeitos especiais cuidadosamente elaborados pela Industrial Light & Magic de George Lucas e arranjados juntamente com uma trilha sonora soberba assinada por Jerry Goldsmith — que fora indicado para o Oscar sem levar nenhum, porém — este é um filme que figura entre os clássicos absolutos do gênero, não devendo nada para grandes nomes como “Psicose” ou “A Profecia”.