Uma história já muito executada na arte (seja ela a sétima ou não) permeia o filme de 1951, “Um Lugar ao Sol”, com Montgomery Clift, Shelley Winters e Elizabeth Taylor. Baseado no romance “Uma Tragédia Americana” de Theodore Dreiser da década de 20, e trazido para o cinema pelo perfeccionista diretor George Stevens, o drama, um dos maiores e mais bem executados do cinema (ganhador de seis Oscar incluindo Melhor Diretor e Melhor Roteiro) nos conta a história de um ambicioso operário americano que pretende galgar a sua ascensão social, porém deixando alguns valores para trás.O filme em si é muito bem dirigido e conta com um roteiro, mesmo que oscile muito no decorrer da narrativa onde a ênfase narrativa da obra vai mudando a medida em que a história vai ganhando o seu contorno mais dramático e, acaba por influenciar muito bem o espectador, ao ponto de, mesmo de maneira sutil, nos fazer torcer pela personagem de Liz Taylor (e a consequente morte da sua antagonista) e nos mostra de maneira bastante crua o triângulo amoroso vivido pelos protagonistas. Verdade seja dita, incialmente a trama se desenvolve de uma maneira muito juvenil e superficial, lembrando em muito os folhetins, com um apelo muito grande para o amor entre a humilde jovem e o ambicioso operário, porém, aos poucos o roteiro parece aprofundar-se ao máximo, elevando o suspense e o drama. Então, partindo de uma premissa boba e rasa até elevar-se a um drama engendrado, digno dos melhores filmes de tribunal.As atuações são relativamente boas. Montgomery Clift passa por uma verdadeira metamorfose em cena, sempre adequando-se muito bem as nuances da narrativa e dos momentos distintos do filme. Elizabeth Taylor, com uma ofuscante beleza, também consegue manter-se muito bem em cena, oscilando os seus melhores momentos com alguns nem tanto, mas de forma geral mantém com méritos o nível de atuações da película. Porém é em Shelley Winters que temos a melhor atuação de todo filme. A sua interpretação da jovem Alice nos consegue colocar diretamente na alma da personagem, nos invadindo com o seu desespero apaixonado durante toda a película até culminar na melhor cena — e ápice de tensão de “Um Lugar Ao Sol” — quando ambos os apaixonados estão sentados no lago, méritos completo para a atrizPertencente a época dourada do cinema hollywoodiano, “Um Lugar Ao Sol” figura entre os melhore do gênero, dividindo espaço com outras obras de igual grandeza para o cinema, podendo colocá-lo lado-a-lado com filmes como “Os Brutos Também Amam”, “Assim Caminha a Humanidade” e “O Diário de Anne Frank” sem nenhum pudor.