Esse texto está guardado no meu HD faz algum tempo, infelizmente perdi a fonte dele e não me lembro quem escreveu.

Então vamos partir da análise da realidade material, ok? A realidade material é que o trabalho é uma merda. Ford nunca chegou ao Brasil e as relações de trabalho ainda tem espírito escravagista.A plataforma “contra o desemprego” tem o valor do emprego.

Ou seja, só tem valor quando o emprego é algo imposto, como condição de sobrevivência. Agora, desemprego a 12% e subemprego a 20% tem força, vinda da necessidade de sobrevivência. Fim do governo Dilma valia nada. Se o desemprego cair vai perder valor de novo.A plataforma não pode ser “contra o desemprego”. Precisa ser a favor de uma outra forma e dignidade do trabalho.A classe trabalhadora está acostumada a engolir humilhação para manter emprego. Sem qualificar o trabalho não dá pro emprego ser objeto de desejo sem a fome na porta.E, por isso, a esquerda perdeu a capacidade de se comunicar com a “nova classe C”. Porque ela não tinha mais a fome na porta.Qualificar o trabalho passa pela desproletarização do trabalho. Abandonar o arranjo empresário ->emprego -> alienação. Abandonar a alienação como objetivo.O canto da sereia da meritocracia, do empreendedorismo usa exatamente a libertação da relação de alienação do trabalho (que, repito, é uma bosta). Enquanto a esquerda oferecer apenas a possibilidade de ser explorado, ela não oferece uma solução para os problemas reais das pessoas.Não é a toa a distinção de emprego e trabalho. São coisas diferentes. O trabalho é necessário à vida, o emprego é uma das formas que o trabalho pode ter. Ser contra o emprego não é ser contra o trabalho. Ser contra o emprego é buscar outras formas de trabalho.Então, em uma tentativa de exploração, que formas pode ter, aqui e agora, nas nossas condições materiais?Quais as ofertas que a esquerda pode oferecer no lugar do trabalho?

EMPREGO MELHOR: oferecer ainda o emprego, mas colocar recursos de estado para melhorar a qualidade das relações de trabalho, fortalecer sindicatos, voltar ao antagonismo burguês safado vs. proletário explorado, MTE e MPT fortes e atuantes, acabar com os abusos de burguês safado.

EMPREENDEDORISMO COLETIVO: promover a economia solidária, cooperativas, associativismo produtivo; formas de organização que quebrem a proletarização do “empreendedor”, dando autonomia sem produzirem proletarização para o outro, futuro empregado.O MST faz isso muito bem, aliás.

ESTATAIS POPULARES:(melhor tradução possível para o que é a ideia dos sovietes de operários, rs). Promover a criação de empresas públicas, comunitárias, administradas pelos próprios integrantes.Parece viagem, mas o projeto Pontos de Cultura fez quase isso. Estudem esse “case”.

EXPROPRIAÇÃO DE BURGUÊS SAFADO + ESTATAIS POPULARES: (também conhecida como revolução comunista). Acabar com a mamata, parar de jogar dinheiro público em multinacional, cobrar as dívidas tomando empresas e as submetendo a gestão democrática.

RENDA BÁSICA UNIVERSAL: Abandonar o trabalho, dizer que os robôs vão fazer tudo, e implementar uma renda básica, que permita que a pessoa trabalhe para ter mais conforto, mas não precise trabalhar para viver. Isso obrigará os burgueses safados a bajularem empregados.