Centro de Porto Alegre dia 12 de agosto de 2020.

A projeção rodada pelos pesquisadores da UFRGS usando o o modelo epidemiológico SEIHDR (Suscetível, Exposto, Infectado, Hospitalizado, Morto, Recuperado) projeta o pico de infecção e óbitos pro RS/POA entre os dias 24/08 e 07/07.Usando os parâmetros (modificados para a nova realidade de isolamento quase nulo em relação ao isolamento meia-boca que tínhamos em março e abril):

• Média em dias entre início do sintomas e hospitalização = 4,86 dias. Valor anterior = 5,72 dias;

• Média em dias entre a hospitalização até o óbito = 12,98 dias. Valor anterior = 15,56 dias;

• Média em dias entre a hospitalização até a alta hospitalar = 10,22 dias. Valor anterior = 10,93 dias;

• Taxa de letalidade entre hospitalizados = 17,5%. Valor anterior = 15,4%.Com isso foram rodados dois cenários:

Cenário 1: beta = 0,2313. R0 = 1,56. Re = 1,08;

Cenário 2: beta = 0,2160. R0 = 1,46. Re = 1,15.

Nos dois cenários passaríamos do número mágico de 383 internados em leitos de UTI (número máximo, teoricamente, que o SUS de POA tem de leitos-COVID de UTI). No mais otimista, chegaríamos em 385 e no mais pessimista passaríamos dos 430 [432]. Bom indicar que a população suscetível no primeiro cenário é menor porque abrange apenas as pessoas acima dos 19 anos, ao passo que no segundo cenário toda a população de Porto Alegre entra na conta.Pensando nisso, óbvio, o governador resolveu que é uma boa hora de começar a retomada das aulas na redes pública e privada (sem falar que com todos esses indicadores de CAOS iminente o nosso Júnior achou que é uma boa abrir comércio, shoppings e qualquer serviço na capital).Acho que tanto o RS, como Porto Alegre e como o Brasil entraram na fase onde leram Schopenhauer e resolveram que “foda-se a vida é um eterno sofrimento e o melhor modo de não sofrer é não viver”.