Judd Legum | 19 de agostoO Facebook fala muito sobre seus esforços para “ manter as pessoas seguras e informadas sobre o coronavírus”. De acordo com a empresa, ela está “conectando pessoas a informações confiáveis”, “combatendo a desinformação do COVID-19” e “apoiando verificadores de fatos”.Em abril o Facebook disse que “colocou rótulos de advertência em cerca de 50 milhões de peças de conteúdo relacionadas ao COVID-19 no Facebook, com base em cerca de 7.500 artigos de nossos parceiros independentes de verificação de fatos.”Em 15 de julho, a empresa anunciou que “conectou mais de 2 bilhões de pessoas a recursos de autoridades de saúde por meio de nosso Centro de Informações COVID-19 e pop-ups no Facebook e Instagram com mais de 600 milhões de pessoas clicando para saber mais.” O Facebook diz que o centro de informações desmascara “mitos comuns que foram identificados pela Organização Mundial de Saúde, como dizer que beber água sanitária irá prevenir o coronavírus ou que tomar hidroxicloroquina pode prevenir COVID-19.”Então, é isso que o Facebook diz. Mas quão bem-sucedida tem sido a empresa no combate à desinformação sobre COVID e outros problemas de saúde?Um novo relatório da ONG Avaaz revela que os esforços do Facebook foram, pelo menos, inadequados. Os usuários do Facebook estão sendo expostos a muito mais desinformação do que conteúdo preciso de saúde.A Avaaz descobriu que, em abril, “o conteúdo dos 10 principais sites de divulgação de informações errôneas sobre saúde atingiu quatro vezes mais visualizações no Facebook do que o conteúdo equivalente dos sites de 10 importantes instituições de saúde, como a OMS e o CDC”. O grupo concluiu que “as táticas de moderação do Facebook não estão acompanhando a amplificação que o próprio algoritmo do Facebook fornece ao conteúdo de desinformação de saúde e àqueles que o divulgam”.A Avaaz identificou 82 sites que estão espalhando informações incorretas sobre o COVID-19 e outros problemas de saúde. Um site era incluído na lista apenas se publicasse diretamente informações incorretas julgadas falsas por um verificador de fatos confiável, e esse modo de operação foi amplamente divulgado no Facebook. A Avaaz descobriu que o conteúdo desses sites gerou “130 milhões de interações, o equivalente a 3,8 bilhões de visualizações estimadas no Facebook entre 28 de maio de 2019 e 27 de maio de 2020.”Em abril, no ápice da pandemia, os dez maiores sites de desinformação na área de saúde geraram cerca de 296 milhões de visualizações no Facebook. Durante o mesmo mês, os dez maiores sites com informações confiáveis sobre saúde — sites como o CDC, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos e o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido — geraram apenas 71 milhões de visualizações.Em uma pandemia, a diferença entre obter informações verdadeira e obter (ou ser alvo de) desinformação pode ser a diferença entre a vida e a morte.O Facebook enfatizou a quantidade de conteúdo sinalizado ou removido, nas de um porta-voz do Facebook ao Popular Information:>“Compartilhamos o objetivo da Avaaz de limitar a desinformação, mas suas descobertas não refletem as medidas que tomamos para evitar que esta se espalhe em nossos serviços. Graças à nossa rede global de verificadores de fatos, de abril a junho rotulamos com sinal de advertência 98 milhões de peças de desinformação sobre a COVID-19 e removemos 7 milhões de peças de conteúdo que poderiam levar a danos iminentes. Direcionamos mais de 2 bilhões de pessoas para recursos de autoridades de saúde e quando alguém tenta compartilhar um link sobre a COVID-19, mostramos a eles um pop-up para conectá-los com informações de saúde confiáveis”. Os dados da Avaaz sobre as visualizações dos links de desinformação sobre saúde também são uma estimativa, com base na quantidade de engajamento, uma vez que o Facebook não divulga essas informações para conteúdo de texto.A teoria da conspiração da vacina de Bill Gates viralizouA Children’s Health Defense publicou um artigo do teórico da conspiração de vacinas Robert Kennedy Jr. em 9 de abril de 2020, intitulado “Gates ‘Globalist Vaccine Agenda: A Win-Win for Pharma and Mandatory Vaccination” (“A agenda globalista da Vacina de Gates: Uma vitória para as farmacêuticas e para a vacinação obrigatória”). O artigo inclui muitas afirmações falsas. Aqui estão três exemplos:>1. O artigo afirma falsamente que as vacinas da pólio paralisaram 490.000 crianças na Índia. O PolitiFact descobriu que “não há evidências de que 496.000 crianças ficaram paralisadas devido a uma vacina contra a poliomielite”. As complicações da vacina oral contra a poliomielite são extremamente raras .

  1. O artigo afirma falsamente que Bill Gates quer reduzir a população mundial por meio de vacinações e integrou uma “fórmula de esterilidade” às vacinas. O site Snopes desmascarou essa teoria da conspiração de longa data.
  2. O artigo afirma erroneamente que a vacina contra difteria/tétano/coqueluche (DTPa) mata mais crianças na África do que as doenças contra as quais ela protege. A OMS descobriu que a vacina DTPa reduziu a mortalidade em crianças vacinadas e não há evidências de qualquer efeito negativo. A desinformação é usada para instar os americanos a rejeitarem uma potencial vacina contra a COVID-19, o que é a melhor esperança que o mundo tem para conter a pandemia mortal. “Gates parece confiante de que a crise da Covid-19 agora lhe dará a oportunidade de impor seus programas ditatoriais de vacinas a todas as crianças americanas — e adultos”, conclui Kennedy.Apesar dessas alegações perigosamente falsas, o artigo gerou 3,7 milhões de visualizações no Facebook. Quase um mês depois, o artigo foi verificado pela agência Correctiv, uma parceira de verificação de fatos do Facebook na Alemanha. Portanto, se você tentar compartilhar a postagem hoje, o Facebook gerará a seguinte mensagem:Mas o falso artigo de Kennedy foi republicado, citado ou vinculado por 29 outros sites de desinformação sobre saúde nas dez semanas após a publicação. Esses artigos “alcançaram mais de 4,7 milhões de visualizações em seis idiomas diferentes”. De maneira crítica, “sites que publicaram o artigo novamente ou compartilharam partes dele conseguiram evitar o processo de verificação de fatos do Facebook”.O maior superdivulgador de desinformação sobre saúde do FacebookO RealFarmacy é um site que “compartilha teorias da conspiração e falsas alegações sobre a pandemia da COVID-19.” Ele também opera três grandes páginas do Facebook que, em conjunto, têm 3,5 milhões de seguidores. As páginas apresentam memes como este, que simulam esforços para controlar a disseminação do coronavírus com métodos cientificamente comprovados.De acordo com a Avaaz, o site RealFarmacy gerou 581 milhões de visualizações no último ano no Facebook. O site foi “registrado em 2013 por meio de um serviço de privacidade com sede no Panamá”. Nenhuma de suas páginas associadas no Facebook tem proprietários verificados.Os limites da verificação de fatosO programa de checagem de fatos do Facebook para conteúdo em inglês não corresponde à escala de sua plataforma. Mas também é mais extenso do que a verificação de fatos do conteúdo escrito em outras línguas. Alguns dos maiores disseminadores de desinformação sobre saúde estão se aproveitando disso.O Dr. Mercola, cujo site homônimo “promoveu repetidamente alegações falsas ou infundadas” sobre o coronavírus e as vacinas, parou de postar em sua página do Facebook em inglês. Ele escreveu um longo artigo em seu site dizendo que estava deixando a plataforma por questões de privacidade. Mas em sua página do Facebook (verificada) em espanhol, “Dr. Joseph Mercola en Español”, que tem 1 milhão de seguidores, continua ativa. De acordo com a Avaaz, a “Dr. Joseph Mercola en Español” é o maior divulgadora de desinformação sobre saúde no Facebook, gerando cerca de 102 milhões de visualizações no ano passado.O último bastiãoO GreenMedInfo é um site de desinformação de saúde que foi banido de outras redes sociais, incluindo o Pinterest. O Mailchimp também se recusou a permitir que o serviço fosse usado para enviar o boletim informativo da GreenMedInfo. Mas ele está autorizado a operar no Facebook, onde gerou 39 milhões de visualizações no ano passado. Um vídeo recente afirma que as “vacinas conjtra a COVID causam os EXATOS mesmos sintomas que a COVID, de acordo com o CDC.” Obviamente isso não é verdade, uma vez que nenhuma vacina COVID foi aprovada nos Estados Unidos.Um post recente afirma erroneamente que não há nenhuma pandemia e que as mortes nos Estados Unidos são, na verdade, mais baixas do que o normal em 2020. Quando você clica no link, o autor diz que o artigo foi removido porque “pesquisadores astutos que leram meu artigo agora me direcionaram para dados e páginas no site do CDC que eu não tinha visto antes.”Grande demais para não falharA parte alarmante do relatório da Avaaz é que a desinformação sobre a saúde continua generalizada, apesar dos esforços do Facebook. A empresa tem tomado medidas mais agressivas para combater a desinformação em relação à COVID-19 do que a desinformação sobre qualquer outro tópico.Mas é uma questão de escala. O Facebook tem bilhões de pessoas postando conteúdo diariamente — algumas das quais estão tentando enganar outras pessoas propositalmente por razões financeiras ou ideológicas. O relatório da Avaaz mostra que lançar algumas dúzias de verificadores de fatos e um pouco de inteligência artificial no problema não resolve o assunto. Lidar com a desinformação no Facebook exigiria uma reformulação fundamental da plataforma e de como ela funciona. E essa não é uma etapa que qualquer pessoa no Facebook pareça estar disposta a considerar