wp:paragraphAmanhã, 20 de setembro de 2020, fazem 185 anos que se iniciou a Revolução Farroupilha, revolta contra o preço do charque (inicialmente e conforme ensinado nas escolas) que viria a tornar o RS independente do Império do Brasil por 10 longos anos.

Motivo de orgulho até os anos 90 entre a imensa maioria dos setores do estado, atualmente passa por uma revisão histórica, onde se releem os pormenores da revolta, se analisam versos do hino rio-grandense e se acusam aqueles que comemoram a cultura ao redor da revolução como de racistas, pelo menos.

Não vou entrar no debate sobre isso porque me foge completamente as demandas e as reivindicações sobre o tema, mas, vou colocar uma questão que me parece muito mais urgente e palatável nos dias de hoje — de franco crescimento de um estado de exceção brasileiro que vira criminalizar aqueles que forem subversivos — e que escapa às discussões dos círculos progressistas e ativistas da esquerda, principalmente.

Algo muito mais grave que está acontecendo atualmente reside no fato de que as policias, com orçamentos cada vez maiores e com equipamentos de repressão e vigilância cada vez mais militarizados, estão usando algoritmos de reconhecimento facial pra reconhecer “suspeitos” de crimes. Esse tipo de abordagem “preventiva” tem se tornado regra no mundo todo, inclusive aqui no BR (em SP, RS, RJ e BA principalmente) onde uma câmera capta uma foto da pessoa, joga numa banco de dados e comprara “traços” criminosos (teoricamente contra um algoritmo “agnóstico” que é capaz apenas de comparar com os rostos conhecidos de foragidos, por exemplo). O problema é que o algoritmo tem quase 1000x mais falso positivo para indígenas e pretos.

Nessa thread o autor mostra como o Twitter trata as imagens de rostos pretos e de rostos brancos, dando muito mais destaque aos rostos brancos: https://twitter.com/colinmadland/status/1307111816250748933

Esse ano ainda o New York Time fez uma matéria longa e completa sobre a condenação de um homem preto nos EUA que foi totalmente feita via algoritmo: https://www.nytimes.com/2020/06/24/technology/facial-recognition-arrest.html

Esse ano essa discussão entrou em voga no Brasil quando, no carnaval ainda, o método de reconhecimento facial da PM brasileira entrou em ação e causou uma discussão sobre o assunto no G1:https://g1.globo.com/economia/tecnologia/noticia/202002/21/aumento-do-uso-de-reconhecimento-facial-pelo-poder-publico-no-brasil-levanta-debate-sobre-limites-da-tecnologia.ghtml

Se você quiser se informar melhor sobre o assunto, com dados de reconhecimento, algoritmos, agentes que usam desse expediente e cidades que estão se tornando “inteligentes”, o Instituto Igarapé tem um ótimo material sobre o assunto: https://igarape.org.br/infografico-reconhecimento-facial-no-brasil/

Todos esses links trazem, pelo menos da minha visão, uma questão mais urgente e mais preocupante do que revisar a revolta dos farroupilhas, por exemplo.