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Ele parou. Ou melhor, saiu do Inter. De campo, melhor dizendo.

Todo o colorado sabia que uma hora a perna de grilo iria caminhar pra longe de Porto Alegre, dar os últimos passo pra fora do estádio, reverenciar pela última vez a arquibancada e, finalmente, envergar outra camiseta no peito ou, até mesmo, a aposentadoria.

Somos mortais, e esse é o nosso problema. Envelhecemos, mesmo os mais brilhantes e mais geniais de todos. Somos humanos e, aos poucos, nossa carne apodrece e nossa vida se esvai. Se esvanece. Para um jogador de futebol tudo inicia cedo, aos 12 anos ou antes, mas tudo acabaça cedo também. 40 anos? Velho. A cabeça diz o que o corpo deve fazer, mas esse, com o peso da idade, não consegue. A perna pesa, dói e o garoto sem habilidade nenhum passa correndo. Imortais não são apenas aqueles senhores de fardão que comem bolinhos fritos na ABL, imortais são todos os que conseguem transpor a sua humanidade em algum campo da humanidade.

D’Alessandro, dentro do Inter, é um imortal. Pode padecer, se aposentar, chorar, e correr. Sempre imortal, brigando com o vento e desafiando o bom senso, tal qual todo o torcedor que se senta no cimento (ou na cadeirinha de plástico, vá lá) e olha absorto para aquele retângulo gramado, liso e verde, que comove multidões pelo mundo o tempo todo.

Quando meu pai me contava de Falcão e Figueroa nos anos 70 eu os imaginava como gigantes com uma clava em uma das mãos e cuspindo fogo nos adversários. Quando eu falar de D’Alessandro para filhos ou netos (quem sabe né) tentarei passar o mesmo sentimento. 1.70 de sangue, gritos e lágrimas. Esse era D’Alessandro, um torcedor dentro do campo. Uma força da natureza que se movia sem rumo, sem sentido, apenas pelo FEELING e pelo cheiro do esporte. Que ele faça isso por mais tantos anos forem necessários para sanar a sua sede de bola e que, quando tudo findar, ele retorne aos colorados e ao Beira-Rio para ensinar gerações como é ser colorado.

El Cabezón se fué.