Brizola sobre a desigualdade racial no Brasil dos anos 70 e como ele incorporou o negro na administração do Rio de Janeiro.

Atravessaram a noite discutindo o significado do trabalho do negro na construção da nação, e foi aí que Brizola entendeu melhor o assunto: o negro, pelo seu trabalho escravo, exploradamente gratuito – portanto, sem o salário que pudesse justificar a sua mais-valia –, era o grande construtor dos bens de produção do Brasil Colônia e do Brasil Império. Mesmo no Brasil República o negro continuava a ser discriminado racialmente, além da discriminação econômica vivida por todos os pobres. E foi ali que a questão negra entrou na agenda principal do trabalhismo. Sua importância, agora entendida por Brizola, foi, então, abordada, inicialmente na Carta de Lisboa e, mais tarde, incorporada como política pública, em seu primeiro governo, com três Secretarias de Estado voltadas para a população negra no Rio de Janeiro.