Claro que todo mundo sabe que os estado do RS deveria ter mantido o isolamento mais radical durante o verão. Claro que todo mundo sabe que o governo deveria ter mantido o auxílio emergencial em R$600 até o final dessa pandemia. Claro que todo mundo sabe que o governo central deveria ter comprado vacinas em novembro ainda. Claro que todo mundo sabe que o RS deveria ter antevisto o problema das novas cepas (variantes é mais legal, mas Abatur não me deixa dizer) circulando no país e se programado para, principalmente em Porto Alegre, ter um plano de contenção, manutenção e lockdown (se for preciso).

Esses pontos foram todos amplamente debatidos em todos os locais do mundo. Dos EUA até o Japão. Todo mundo sabe que a única medida de contenção que temos contra o vírus é isolamento e isolamento. Isso acarreta, claro, diversos problema mentais em toda a população, principalmente naqueles que tem a saúde mental já fragilizada, mas são problemas secundários perto da possibilidade de se morrer sufocado no próprio sangue enquanto aguardo uma vaga na UTI.

Ontem (19/2) o governador colocou ~68% da população do RS sob bandeira preta (risco altíssimo para COVID19). Hoje (20/2) publicou o decreto que prevê toque de recolher entre as 22h e as 5h.

O prefeito de Porto Alegre o seguiu nas ordens. Bom lembrar, contudo, que uma semana atrás Eduardo Leite levantou a ocupação máxima das escolas para 100% e, quando empossado/diplomado como prefeito, Sebastião Melo levantou todas as barreiras sanitárias e de isolamento em Porto Alegre, abrindo comércios e lojas como se a pandemia já tivesse passado.

O problema do vírus é que ele cobra um preço alto rápido: hoje Porto Alegre tem 422 pessoas entre suspeitos e contaminados esperando UTI. Outros 340 já confirmados estão na UTI. 388 entre suspeitos e confirmados estão já na UTI. O número máximo, de saturação do SUS da cidade é 383. Já estamos no caos sanitário e ninguém viu.

Ou melhor, todo mundo viu, mas quem morre é pobre e trabalhador, então não importa. Nesse momento, sábado, o prefeito, mesmo sob a pressão da doença, vai ao ar dizendo que a “economia não pode parar” e que ele e o governador entenderam que o melhor é manter a cidade aberta seguindo “protocolos sanitários”. O nome disso é mandar o trabalhador morrer na fábrica, no hotel, nas praças e onde mais for preciso enquanto a burguesia se mantém alinhada em casa, nas suas férias, rezando por mais uma reforma.

O nome disso não é eugenia, genocídio ou fascismo. O nome disso é capitalismo.