A cada ano que passa parece que estamos mais afundados em plataformas. São plataformas de pedidos de comida, de publicação de histórias, de redes sociais, de namoros online, de bancos, de pensamento, de ensino, de listas de e-mail, de listas de compras. De tudo.

Nada disso aplaca a sede de mais uma plataforma, claro.

Nos primórdios da internet (frase ótima de se dizer quando se tem mais de 30 anos) não tinha a maioria dessas coisas e cada um deveria ser o seu próprio “platform man”, criando coisas do zero e errando absurdamente. Porque todo mundo erra. Eu mesmo fiz uns 200 sites que deveriam ser blogs mas que nunca eram nada. No final das contas, surgiu o Blogger (ainda não era do Google, inclusive) e todo mundo teve o belo endereço na web ostentando o .blogspot.com depois do próprio nome (ou de uma piadinha). Os mais puristas se mantinham no Geocities, claro, agarrados ao sabor da velhice e do Cheetos mofado. Mas não durou muito.

Depois disso veio o Wordpress, a revolução dos blogs e de toda a web - junto com a Amazon e o seu onipresente AWS - que nos levou direto pra plataformização de tudo. De tudo mesmo.

Hoje veio o Hey World, uma plataforma de blog que pode ser usada via e-mail, se baseando no serviço de e-mail da Basecamp (que é bonito e modernoso, mas pago, bem pago: USD99 por ano). Com a ótima ideia de que você apenas precisa escrever um e-mail para publicar - como era o finado Posterous - eles trouxeram algo que já existia, repaginaram com um CSS arrumadinho e jogaram num produto que parece bom (eu usaria o serviço deles num plano gratuito com 1GB) para pegar as pessoas que nunca usaram um e-mail na vida.

Claro, é mais do que isso. A notinha do Manual do Usuário fala mais sobre o assunto - e provavelmente os comentários irão dar um panorama melhor sobre tudo - mas a verdade é que no frigir do ovos, é apenas um serviço de plataforma como tantos outros.

Eu gostaria, sinceramente, de uma web moleque novamente. Não precisa ser lenta. 56kbps era algo terrível. Mas poderia ser, novamente, sem tantas plataformas. Sem tantas redes sociais. Sem tantos obstáculos e muros ao nosso redor. Mais web e menos aplicativo. Mais pessoas e menos disrrupção. Mais tudo e menos negócios.