Além da derrota vexatória do Inter ontem (não perdeu, mas como se fora fosse) o RS ainda enfrenta o momento mais delicado até agora com a COVID19. Não que isso fosse, exatamente, algo inesperado. Dentre todas as bandeiras do prefeito Melo, a que mais saltava aos olhos era a de abertura total do comércio para “salvar” Porto Alegre. Ele reabriu tudo no dia 2 de janeiro. Quase 60 dias depois, estamos vendo o resultado da política temerária e maluca do prefeito bolsonarista que foi eleito dizendo que a oposição iria servir carne de cachorro nas escolas da cidade e que distribuiu diversas “estátuas de cloroquina” pelas praças de Porto Alegre.

Os canalhas sempre vencem, ao que parece.

Mas voltamos ao assunto principal que é a rápida ascensão do corona vírus no RS e em Porto Alegre. Hoje acordamos com 420 internado por COVID nas UTI’s da cidade. Número maior do que o limite teórico máximo de 383. Ao mesmo tempo, já estamos com 472 suspeitos + confirmados e 593 entre suspeitos + confirmados + aguardando leito na UTI. 210 a mais do que o magico número de 383. Mas mesmo assim a cidade não entrou em colapso, segundo as autoridades oficiais e as aulas só foram suspensas em sua retomada devido à uma ação do MPRS.

A situação no RS nos últimos 7 dias escalou sobremaneira. Somos o pior estado da federação nessa semana de pandemia. E a tendência, assim como todas as cidades que distribuíram o “kit COVID”, é de piora no curto prazo. Faltam pontos de O2 nos hospitais e o plano de contingenciamento do governo prevê uso de qualquer espaço como UTI.

Tardiamente, o governador colocou o estado inteiro em bandeira preta (risco altíssimo de contágio) e cancelou o sistema de cogestão (que na teoria deveria servir para amenizar distorções das regiões mas, na prática, serviu apenas para criar mecanismo ideológicos de distribuição de remédios sem eficácia e de pressão dos lojistas e diretores de escolas privadas).

Claro que toda a culpa tem vários donos. No caso do colapso mental e sanitário do Brasil e do RS são os nossos governantes da extrema-direita e direita que, mesmo diante da oportunidade de saírem como heróis, resolveram abraçar as políticas neoliberais que os elegeram - e os donos do poder - e forçaram uma abertura precoce e uma plano de imunização inócuo. O grande problema é que, passada essa pandemia, esses empresários não irão responder pelo seu crime grave de colocar todo mundo em risco em troca de mais lucro. Pelo contrário, muito ainda serão celebrados quando “criarem empregos” na recuperação da pandemia.

Enquanto isso, a chacina brasileira segue a todo o vapor. Melo pede que os porto-alegrenses deem sua vida em troca do comércio da cidade (nem é da cidade, é do comércio), Bolsonaro passeia de jet-ski enquanto livra a cara dos filhos de mais um processo no STJ e o Paulo Guedes prepara uma privatização em bloco dos Correios e da Eletrobrás (como bem lembrou um amigo meu, é como se na segunda guerra o Churchil, ao invés de se preocupar com o nazismo galopante estivesse fazendo lobby pra privatizar a BBC).

Mas seguimos, porque se tem algo que o brasileiro está acostumado é com a morte.